

Segredos (Confidenza, 2023), longa-metragem italiano de suspense dramático, distribuído pela Risi Film Brasil, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 12 de junho de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 136 minutos de duração.
O respeitado professor Pietro Vella (Elio Germano) confia um segredo devastador à sua ex-aluna Teresa Quadraro (Federica Rosellini), selando entre eles um vínculo que os acompanhará por toda a vida. Trata-se de uma revelação inominável, com potencial para destruir por completo a vida de Pietro. Mesmo após seguirem caminhos distintos — com ele alcançando sucesso profissional e se casando com a professora Nadia Labaro (Vittoria Puccini) — a conexão entre ambos persiste, inexplicavelmente intacta.
Essa premissa, simples e ao mesmo tempo carregada de tensão, dá forma ao novo longa de Daniele Luchetti, que volta a adaptar uma obra de Domenico Starnone, mais uma vez explorando os bastidores e dilemas do universo escolar.
A narrativa alterna constantemente entre os anos 90 e os dias atuais, mas, apesar da riqueza temática, o filme não consegue explorar com profundidade todo o seu potencial.
No campo das atuações, predomina certa apatia, típica de alguns dramas italianos contemporâneos centrados na classe média — especialmente pelo uso excessivo de falas sussurradas, que comprometem a clareza dos diálogos em diversos momentos (ainda bem que assisti ao filme legendado).
Elio Germano, contudo, consegue expressar parte da complexidade esperada de seu personagem, que é, aliás, o mais bem construído da trama. Já Federica Rosellini entrega uma performance monótona, dominada por um tom de raiva obsessiva que permanece inalterado do início ao fim, impedindo o amadurecimento dramático de sua personagem.
A caracterização também deixa a desejar. Rosellini, nas sequências a partir dos anos 90 — em que deveria aparentar entre dezoito à trinta anos — mantém o visual da atriz em sua idade atual. Já nas cenas ambientadas no presente, ela parece ter idade semelhante à de Germano, quando, narrativamente, haveria uma diferença de duas décadas entre os personagens. Essa inconsistência se repete, ainda que em menor grau, entre outros membros do elenco.
O ritmo narrativo, inicialmente constante, desacelera bruscamente na segunda metade, com a chegada de dois novos personagens (Isabella Ferrari e Giordano De Plano), que intensificam o já delicado equilíbrio no casamento de Pietro e Nadia. A partir daí, o roteiro envereda por clichês previsíveis: traições, lares desfeitos e o desencanto da meia-idade dominam a cena.
Do ponto de vista estético, algumas escolhas parecem datadas ou artificiais — como o sangramento nasal de Pietro no dia de seu casamento, ou os limões e o corvo negro que rondam a casa da família Vella, em uma simbologia forçada de catástrofe iminente.
Por outro lado, a trilha sonora de Thom Yorke, marcada por sopros graves e percussões densas, contribui com eficácia para o clima lúgubre, lembrando procissões e marchas fúnebres, intensificando a inquietação emocional do espectador.
O desfecho adota um tom grotesco e carregado, que, em teoria, poderia conferir imprevisibilidade e impacto à conclusão. No entanto, a execução sofre com uma mise-en-scène desorganizada e uma montagem confusa, colocando em risco a coerência entre intenção e recepção do público.







