
Rio de Sangue (2026), longa-metragem nacional de ação e drama, distribuído pela The Walt Disney Company, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 16 de abril de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 105 minutos de duração, dirigido por Gustavo Bonafé.
Na trama, Giovanna Antonelli interpreta Patrícia Trindade, uma policial que, depois de uma operação desastrosa e uma ameaça de morte do narcotráfico, decide trocar o caos urbano por um inferno verde no Pará. Lá reencontra a filha Luiza (Alice Wegmann), médica voluntária em uma ONG que atende comunidades indígenas. Tudo vai bem até que a expedição vira uma cilada e Luiza é sequestrada (ou “gentilmente” convidada) por garimpeiros. Patrícia então ativa o modo “Rambo materno” e parte para o resgate com mais garra do que GPS.
Apesar da sinopse vender a fantasia de que estamos diante de uma versão tropical de “Busca Implacável”, com a protagonista correndo como se tivesse um cronômetro na mão e um helicóptero esperando no final, isso não procede. A ação é semi-constante, o drama tenta ser funcional e a tensão é servida em porções espaçadas. E não podemos esquecer da narração… que narração!
O roteiro, escrito por Dennison Ramalho e Felipe Berlinck, tenta equilibrar tudo isso com crítica social. O resultado? Uma floresta cheia de bandidos, tiros e frases de efeito, com pitadas de “olha como o Brasil tá lascado”. Tem garimpo ilegal, exploração indígena e um Estado que aparece menos que wi-fi em mata fechada. Tudo isso embalado numa estrutura de “quanto mais entra na selva, mais dá ruim”, como se fosse um tutorial de como não fazer ecoturismo.
O filme tenta ser sério, tenta ser tenso, tenta ser relevante. Só que muitas vezes escorrega no sabão da própria ambição. O verdadeiro drama não ocorre entre as protagonistas, mas sim, entre os antagonistas. As reviravoltas não são surpreendentes, pois o filme segue uma cartilha já conhecida. E as cenas de ação, que deveriam ser brutais, acabam parecendo ensaiadas por dublês em horário comercial. E a tal crítica social já mencionada? Funciona mais como decoração de fundo do que como parte da trama. É como colocar um cartaz de “salve a Amazônia” no meio de uma perseguição de moto.
Mas nem tudo são espinhos. A direção de Bonafé é objetiva: não tem tempo para enrolação. E o set de filmagem, ou seja, a floresta em Santarém e Alter do Chão, não tem nada de cartão-postal: é um lugar onde até a sombra parece querer te matar. O elenco, então, é um buffet de rostos conhecidos e surpresas agradáveis.
Giovanna Antonelli, com cara de quem já viu coisa pior em novela das nove, entrega uma mãe que parece ter saído de um curso intensivo de sobrevivência. A personagem não tem profundidade, mas tem motivação. Além de ter um parceiro/aliado inseparável vivido pelo ator Sérgio Menezes.
Alice Wegmann, como a filha, consegue reproduzir bem o arquétipo ideal para esse tipo de enrascada: uma pessoa idealista, teimosa e com talento para se meter em confusão. Contudo, está lá mais como desculpa para a carnificina do que como personagem. Se fosse um videogame, ela seria o objetivo da missão, não alguém com personalidade.
Antônio Calloni, como Polaco, – está muito bem, obrigado! – faz o tipo que você não quer encontrar numa trilha, e seu filho Jadson, vivido por Ravel Andrade, – atuando cada vez melhor – aparentemente não está pronto para liderar missões sem que hajam alguns contratempos. Felipe Simas, de forma imponente, aparece como o terceiro em comando – primo de Jadson e sobrinho de Polaco – que vai se tornando mais perigoso, do que se poderia julgar, com o passar do tempo.
Ravel Cabral como Delegado Ritter e Vinicius de Oliveira, como um dos garimpeiros ilegais, são os responsáveis por incitar as cenas de ação da trama. E não posso esquecer de mencionar, Fidélis Baniwa, que com seu personagem Mário, é responsável pela narração do filme e por uma presença que não parece saída de laboratório de elenco.
No fim das contas, “Rio de Sangue” é aquele primo do interior que tenta ser cosmopolita: tem boas intenções, mas ainda usa pochete. É um filme que quer ser tudo ao mesmo tempo — drama, ação, denúncia, blockbuster — e acaba sendo um pouco de cada, mas nada por inteiro. Ainda assim, vale o ingresso, nem que seja só pra ver Giovanna Antonelli metendo bala em garimpeiro ilegal como se estivesse resolvendo uma briga de condomínio.
















