
Resgate Implacável (A Working Man, 2025), longa-metragem estadunidense de ação, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 27 de março de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 117 minutos de duração.
O filme gira em torno de um personagem durão, Levon Cade (interpretado por Jason Statham), ex-profissional altamente qualificado no meio militar, que se aposentou para levar uma vida tranquila em um emprego na construção civil. No entanto, eventos adversos o forçam a revisitar seus antigos hábitos letais.
David Ayer e Jason Statham unem forças novamente após “The Beekeeper: Rede de Vingança” (2024). Enquanto “The Beekeeper” apresenta Jason Statham em um papel inspirado em “John Wick” (2014), com uma busca implacável por vingança, o presente longa leva o ator por um caminho semelhante ao de Busca Implacável (2008), no estilo de Liam Neeson, mas com a atmosfera de um suspense e ação característico dos anos 80.
Porém, diferentemente de narrativas focadas no sequestro da filha do protagonista, a trama desta vez gira em torno do rapto de Jenny (Arianna Rivas), a amada filha de Joe Garcia (Michael Peña). Joe, chefe de Levon, tem uma relação próxima com ele, tratando-o como parte da família junto com sua esposa (Noemi Gonzalez) e sua filha recém sequestrada.
Com Jenny desaparecida, os Garcias depositam sua confiança na experiência de Levon, como esperança de encontrar sua filha. Coescrita por David Ayer e Sylvester Stallone, a história segue um roteiro familiar, repleto de clichês revisitados: Levon inicialmente reluta em retornar ao seu antigo estilo de vida, mas acaba aceitando e prometendo trazer a garota de volta.
A partir desse ponto, Levon embarca em uma missão solo, desvendando conexões com a máfia russa e motociclistas locais — incluindo Dutch, interpretado por Chidi Ajufo — envolvidos em tráfico humano e comércio sexual, liderados pelo vilão Dimi, vivido por Maximilian Osinski em uma performance “desprezível”.
Embora Ayer pudesse ter optado por um filme de ação mais direto e enxuto, ele, assim como em fez em “The Beekeeper”, novamente acrescenta elementos desnecessários. Este filme é uma adaptação do romance “Levon’s Trade”, de Chuck Dixon, publicado em 2014, e, para ser claro, não li o livro. Com base apenas na perspectiva do filme, a narrativa se mostra excessivamente desajeitada, com momentos prolongados que frequentemente diluem a tensão, culminando em um tempo de execução desgastante de quase duas horas.
Como sempre, Jason Statham exibe seu estoicismo característico, que você pode amar ou odiar. Ainda assim, é inegável que ele domina seu papel com maestria: o de um personagem implacável e reservado, equipado com um conjunto único de habilidades, enquanto enfrenta e elimina inúmeros adversários.
A ação é intensa e implacável, com o Levon de Statham, recorrendo a métodos extremos, como afogamento simulado para obter informações, além de afogar um mafioso russo amarrado a uma cadeira (Jason Flemyng) na piscina. Em determinado momento, ele utiliza uma faca contra um dos antagonistas, protagonizando a cena mais graficamente violenta do filme.
Em alguns momentos, o filme acaba me frustrando, com certas sequências de ação que parecem visualmente confusas ou mal editadas, resultado da tendência de Ayer em ambientar cenas em locais sombrios ou mal iluminados. Além disso, não consigo ignorar a sensação de uma oportunidade perdida, onde Ayer poderia ter intensificado o suspense colocando em perigo algumas das pessoas próximas a Levon, pelas quais ele claramente se importa.
Quanto ao resto do elenco, Arianna Rivas se destaca em sua corajosa atuação como Jenny, mesmo que passe grande parte do tempo em cena como refém, confinada em uma sala. Michael Peña, por sua vez, é limitado a um papel simbólico como o pai preocupado. Já David Harbour aproveita ao máximo sua participação reduzida no papel de Gunny Lefferty, um ex-soldado e melhor amigo de Levon, cuja cegueira foi causada por um incidente no passado, quando serviam juntos no exército. Além disso, Statham e Harbour exibem uma excelente química de camaradagem, que se torna um dos pontos altos de um filme que, de outro modo, enfrenta várias dificuldades.
Deixando de lado algumas de suas falhas, é importante mencionar que este filme é a introdução à série “Levon Cade”, de Chuck Dixon, que já conta com 11 livros lançados. Por ora, o longa oferece um início razoável, embora irregular, para uma possível franquia. Se houver uma sequência em andamento — algo que dependerá do desempenho de bilheteria deste primeiro filme — fica a esperança de que a próxima entrega traga melhorias significativas.