Resenha | O Monstro na Floresta de Bianca Silvino & Jéssica Milato

Séculos atrás, uma bruxa poderosa chamada Elishebba governava um reino distante. Ameaçada por uma profecia que anunciava sua queda, por uma bruxa de sua própria linhagem que a substituiria ao encontrar o amor verdadeiro, ela amaldiçoou o jovem destinado a essa bruxa. Transformou Gabriel em um monstro temido, aprisionado na floresta. A maldição só poderia ser quebrada se ele encontrasse o amor verdadeiro com a tal descendente de Elishebba.

A história é uma fantasia juvenil que segue a jornada de Lucy, uma adolescente que, após a morte dos pais, vai morar com sua excêntrica tia, Beth, em uma casa à beira de uma floresta encantada.

Lucy, relutante, é convencida por sua melhor amiga, Bianca, a participar de um baile escolar. Ao avistar uma silhueta assustadora na floresta, sua curiosidade a leva a investigar, e ela descobre que a figura é o “Monstro da Floresta”. Ao invés de temer, Lucy sente uma conexão imediata com a criatura. Eles iniciam encontros secretos na floresta, onde ele, que pode assumir forma humana temporariamente, aprende a dançar com ela para o grande baile da cidade.

À medida que seus sentimentos românticos florescem, Lucy descobre através de um livro de lendas que ela é a descendente de Elishebba e a única que pode quebrar a maldição.

O livro constrói sua base em um modelo clássico — a maldição ancestral que só pode ser quebrada pelo amor verdadeiro — mas a executa de uma maneira moderna. A estrutura segue um caminho conhecido: apresentação do mito fundador, introdução da protagonista em seu mundo comum, descoberta do sobrenatural e resolução do conflito.

A narrativa alterna sabiamente entre o tom lendário dos capítulos iniciais, que remetem aos contos de fada tradicionais, e a voz pessoal de Lucy, cujo diário íntimo constitui a maior parte da obra. Essa transição de registro é bem conduzida, criando uma ponte entre o universo mágico e a experiência adolescente.

Lucy como protagonista carrega as marcas da juventude — luta com a perda dos pais, inseguranças típicas da idade e um crescente processo de autodescoberta. Sua evolução de uma jovem enlutada para uma heroína que abraça seu destino segue uma curva satisfatória, embora alguns momentos de transição poderiam ser mais explorados.

O estilo da escrita é acessível e direto, com um foco claro em impulsionar a narrativa para a frente. As autoras dedicam tempo para estabelecer a dinâmica entre Lucy e sua melhor amiga, Bianca, o que ancora a história em um mundo relacional convincente antes da introdução do elemento fantástico.

CONCLUSÃO: “O Monstro na Floresta” não procura mudar radicalmente as expectativas do conto de fadas, mas sim executar sua fórmula com sinceridade e um coração aberto. É uma história sobre encontrar a força para enfrentar o desconhecido, confiar no outro e acreditar que o afeto genuíno pode restaurar o que estava quebrado, temas que continuam a alcançar leitores, independente da idade.


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