Resenha | Hell House: A Casa do Inferno de Richard Matheson

O livro, “Hell House – A Casa do Inferno”, escrito em 1971, pelo escritor Richard Matheson, é leitura obrigatória para fãs do gênero, tendo ganho uma adaptação (fiel, mas menos pormenorizada) para o cinema poucos anos depois (A Casa da Noite Eterna AKA The Legend of Hell House, 1973), brilhantemente dirigida por John Hough.

O livro talvez seja uma das melhores histórias de casa assombrada já escritas. A trama é direta: um empresário muito rico e à beira da morte contrata o Dr. Barrett — um cientista renomado — para investigar a Casa do Inferno e determinar se existe ali algum tipo de manifestação espiritual. Acompanhando Barrett estão sua esposa e assistente, Edith (ela teve poliomielite e ficou com uma das pernas debilitada), a médium Florence Tanner e Benjamin Franklin Fischer, o único sobrevivente da última expedição ao local, também médium.

Os momentos mais fortes do livro — e onde Matheson realmente mostra sua habilidade — surgem do choque entre as crenças dos integrantes da equipe. O Dr. Barrett é um defensor ferrenho da ciência, da lógica e do método experimental, com uma convicção quase religiosa. Florence, por outro lado, acredita profundamente na presença de espíritos e no poder divino. Entre os dois está Fischer, marcado pelas experiências traumáticas que teve na casa: ele não confia nas teorias de Barrett, mas também teme a abertura espiritual de Florence. Edith, por sua vez, tenta apoiar a visão científica do marido, mas se sente atraída pela espiritualidade que Florence representa.

No centro desse conflito está a própria Casa do Inferno, antiga residência de Emeric Belasco, um homem cuja influência arrastava todos ao redor para excessos e depravações que fariam o Marquês de Sade parecer moderado. O romance nunca deixa dúvida de que há algo vivo — ou algo que se recusa a morrer — dentro da casa. Assim que os personagens entram, essa força começa a explorar suas vulnerabilidades, ampliando as tensões já existentes. Até a arquitetura parece agir contra eles. Matheson equilibra com maestria o horror da casa e a complexidade psicológica dos quatro protagonistas, e é essa combinação que faz do livro um clássico.

A construção da tensão é tão eficaz na parte central que os capítulos finais acabam parecendo menos impactantes. Não chega a comprometer a obra, mas reduz um pouco o efeito do terror.

Apesar disso, “Hell House – A Casa do Inferno” continua sendo um marco do gênero e envelheceu muito bem. Alguns elementos tecnológicos citados podem soar datados, mas isso é irrelevante diante da força da escrita. Quem gosta de histórias de casas assombradas e ainda não leu este livro deveria colocá-lo no topo da lista.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *