
O livro, “Bem-Vindo à Ilha do Pesadelo (Welcome to Nightmare Island), escrito por Devin Cabrera e publicado pela editora Skull, segue cinco amigos que, achando que vão curtir uma atração turística “de última geração”, acabam presos numa ilha mal-assombrada que parece ter sido projetada por alguém com rancor pessoal contra a humanidade. A promessa de diversão vira armadilha, e o grupo passa a noite sendo caçado por fantasmas que não estão interessados em apenas assustar — só em cadáveres novos.
Trata-se daquele tipo de livro que claramente nasceu de uma vontade genuína de divertir — mesmo que tropece tanto no caminho que quase dá vontade de aplaudir o esforço. É uma aventura sobrenatural que abraça o exagero como se fosse um acessório de moda indispensável, e, surpreendentemente, isso funciona mais vezes do que deveria.
A ilha, mesmo sem grandes detalhes, às vezes parece até ter vida própria. Há descrições que realmente funcionam, momentos em que o cenário ganha um peso quase físico, como se estivesse exausto de receber visitantes inconvenientes. Nesses raros instantes, Cabrera mostra que sabe criar atmosfera — só não consegue mantê-la antes que ela escorregue pelos dedos.
Há trechos em que o texto, por sua vez, corre como quem tenta fugir das próprias falhas. As aparições sobrenaturais surgem com tanta regularidade que parecem ter horário marcado, e algumas cenas existem apenas para preencher o intervalo entre um susto e outro. Os personagens? Cada um tem um traço de personalidade tão cuidadosamente escolhido que dá para sentir o cheiro da conveniência. Ainda assim, o livro mantém um ritmo que impede a leitura de virar um teste de resistência.
O problema é que o texto acerta quando abraça a simplicidade e tropeça feio quando tenta parecer profundo. Cabrera tem boas ideias, mas não as desenvolve; cria cenas fortes, mas não sabe o que fazer com elas depois; tem ritmo, mas não tem bússola.
No fim, “Bem-Vindo à Ilha do Pesadelo” é uma mistura curiosa: falha em algumas ambições, acerta em outras, e encontra um meio-termo que pode agradar quem só quer uma leitura rápida, com um clima interessante e alguns lampejos de criatividade. Não reinventa nada, mas também não é apenas um desfile de jump scaries (sustos gratuitos). Existe algo ali — pequeno, tímido — tentando ir além do óbvio. E mesmo quando não consegue, a tentativa já vale como entretenimento.
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