
Rabia – As Esposas do Estado Islâmico (Rabia, 2024), longa-metragem dramático, coprodução Franco-Alemã, distribuído pela Pandora Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 21 de agosto de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 94 minutos de duração, dirigido por Mareike Engelhardt.
Trata-se de um filme que não se contenta em contar uma história — ele te arrasta para dentro dela, sem pedir permissão. A protagonista, Jessica, uma jovem francesa de 19 anos, parte, ao lado da amiga, para Síria acreditando estar indo ao encontro de uma vida com propósito. Mas o que ela encontra é um espaço de controle e doutrinação, onde o desejo de pertencimento é manipulado com precisão quase cirúrgica.
O roteiro de Mareike Engelhardt e Samuel Doux não se apoia em julgamentos fáceis. Ele mergulha nas contradições humanas, nas zonas cinzentas entre fé, submissão e resistência. O filme não simplifica. Ao contrário, complexifica.
As personagens femininas não estão ali para ilustrar uma ideia. Elas são vivas, contraditórias, em constante fricção. Megan Northam entrega uma atuação que incomoda pela intensidade. Há momentos em que o olhar da personagem diz mais do que qualquer diálogo. Lubna Azabal, como Madame, é magnética e assustadora. Ela domina o ambiente com uma autoridade que não precisa levantar a voz.
Os diálogos são curtos, precisos. Há uma tensão constante, mesmo nas interações mais triviais. E o som, ou melhor, a escolha de quando não usar trilha sonora, amplifica ainda mais os momentos de desconforto. Engelhardt parece dizer: “Não te darei fuga fácil”.
A direção de Engelhardt é precisa e contida. A câmera observa, não invade. A fotografia de Agnès Godard é árida, quase claustrofóbica, reforçando a sensação de aprisionamento físico e emocional. Há uma escolha clara de não suavizar nada — nem a dor, nem a dúvida, nem a alienação.
O filme não tenta explicar por que alguém se radicaliza. Ele mostra como, às vezes, o desejo de ser parte de algo maior pode ser mais forte do que o medo. E isso é desconcertante. “Rabia – As Esposas do Estado Islâmico” deixa o público com mais perguntas do que respostas, e talvez esse seja seu maior mérito: provocar desconforto sem perder a delicadeza.














