
R. Roussil – A Liberdade da Imaginação (R. Roussil – Le Cul par Terre, 2025), longa-metragem documental canadense, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), com classificação indicativa 14 anos e 77 minutos de duração.
O documentário parte de uma inquietação: por que um artista tão ativo e provocador como Robert Roussil, falecido em 2013, parece ter sido esquecido? O diretor Maxime-Claude L’Écuyer tenta responder a isso sem recorrer a homenagens formais ou discursos laudatórios. Ele prefere mostrar o que o canadense Roussil fez, onde viveu, como pensava.
O filme se apoia em arquivos e entrevistas, mas não se limita a isso. Há uma tentativa clara de entrar no espaço físico e mental do escultor, especialmente ao visitar o moinho em Tourrettes-sur-Loup na França, onde morou e produziu por décadas, até sua morte.
As esculturas espalhadas por Montreal aparecem como vestígios de uma presença que ainda pulsa, mesmo que pouca gente pare para olhar. O documentário não tenta transformar Roussil em herói nem em mártir. Ele é mostrado como alguém que acreditava na liberdade, que enfrentou censura, que se exilou, que construiu sua própria oficina e que não esperava reconhecimento institucional.
O título original (“Le Cul par Terre” que pode ser traduzido como “rolar de rir”) já indica que há uma dose de ironia. Roussil não era alguém que se levava tão a sério, e o filme parece entender isso. Há humor, há crítica, há momentos em que o próprio artista fala com uma mistura de raiva e leveza. O diretor não tenta moldar essas falas, apenas as organiza para que façam sentido dentro do percurso proposto.
O filme não se fecha em uma tese. Ele abre espaço para que o público conheça Roussil por meio de suas obras, de suas palavras e dos lugares que ele habitou. É um convite à curiosidade, à escuta e à memória.
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