
Push – No Limite do Medo (Push, 2024), longa-metragem estadunidense de suspense, distribuído pela Clube Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de março de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 89 minutos de duração.
“Push – No Limite do Medo” é escrito e dirigido por David Charbonier e Justin Douglas Powell, a dupla que já entregou “O Menino Atrás da Porta” (The Boy Next Door, 2020) e “Ritual Maldito” (The Djinn, 2021). Ou seja: eles já têm experiência em colocar personagens em situações péssimas, mas aparentemente ainda não aprenderam totalmente a fazer isso sem tropeçar no próprio roteiro.
Assistir o filme nos levou, inevitavelmente, a lembrar de “A Invasora” (Inside, 2007), aquele terror francês que traumatizou metade da Europa. A diferença é que “Push” tenta ser brutal, mas acaba parecendo a versão “livre para todos os públicos” de “A Invasora”. Não chega nem perto do impacto, mas também não é um desastre completo — dá pra aproveitar bastante coisa.
Alicia Sanz, coitada, tenta carregar o filme nas costas. Tenta. Ela corre, se esconde, luta, respira fundo, faz cara de “meu Deus, vou morrer”, mas nada disso convence muito. A personagem deveria transmitir desespero, mas parece mais alguém que perdeu o ônibus e está irritada com isso. Resultado: o público olha pra ela e pensa “poxa, que pena”, mas não exatamente “meu Deus, alguém ajuda essa mulher”.
Já Raúl Castillo, por outro lado, está ótimo como o antagonista quase mudo. Ele aparece, encara, ameaça e funciona — pelo menos até o roteiro lembrar que esqueceu de dar motivação ao personagem. No começo ele é assustador; no final, vira praticamente um funcionário público do mal: faz o trabalho, mas sem entusiasmo.
A fotografia de Daniel Katz é o verdadeiro destaque. A casa parece um labirinto projetado por alguém que odeia iluminação natural, e isso funciona muito bem. Os corredores longos, os cantos apertados, a sensação constante de “não tem mais onde se esconder” — tudo isso cria tensão de verdade. Pena que a protagonista não acompanha.
O maior problema do filme é a construção da personagem principal. Não sabemos quase nada sobre Natalie além do fato de que ela está tendo um dia horrível. Há menções ao passado dela, mas nada que realmente aprofunde a personagem. Não chega a fazer o público desistir completamente dela, mas também não ajuda ninguém a se importar muito.
No fim das contas, apesar de seus tropeços, “Push – No Limite do Medo” funciona como terror de invasão domiciliar. Tem atmosfera, tem um vilão competente, tem fotografia caprichada e tem momentos de tensão genuína. Não reinventa nada, não traz mensagem profunda, não muda a vida de ninguém — mas entretém. Se você gosta do gênero, vale assistir. Se não gosta, bom… pelo menos dura pouco.
















