
POV – Presença Oculta (Bodycam, 2025), longa-metragem canadense de terror found footage, distribuído pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de março de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 75 minutos de duração.
É o tipo de filme que começa com dois policiais atendendo uma denúncia de violência doméstica e termina com você desejando que alguém denuncie o diretor por abuso emocional contra o público. O diretor Brandon Christensen entrega mais um found footage — aquele gênero que insiste em provar que tremer a câmera é mais assustador do que qualquer entidade sobrenatural. E, olha, às vezes até é.
A dupla da vez é formada pelo policial Jerome Jackson (Jaime M. Callica), que ainda acredita em fazer a coisa certa, e Bryce Anderson (Sean Rogerson), que claramente já desistiu da humanidade e só quer sobreviver ao plantão. Eles entram numa casa escura, em um bairro decadente cercado por viciados — porque, claro, found footage só funciona em lugares onde a iluminação pública já desistiu da vida.
Dentro da casa, eles encontram tudo o que você espera: barulhos suspeitos, sombras que se mexem e aquele clima de “isso vai dar errado em 3, 2, 1…”. E dá. Bryce, tomado pelo medo e pela pontaria duvidosa, atira em um homem que surge das trevas. Jerome quer ligar para a central, mas Bryce, com o instinto de sobrevivência de quem já viu manchetes demais, decide que é melhor inventar uma história. Afinal, nada une dois policiais como um bom encobrimento.
Mas o verdadeiro terror não são os cadáveres no chão — é perceber que as câmeras corporais não são as únicas coisas observando os dois. A partir daí, a noite vira um pesadelo, e não daquele tipo metafórico: é pesadelo mesmo, com direito a criaturas, paranoia e decisões tão ruins que fariam qualquer manual de conduta policial pegar fogo espontaneamente.
O filme ainda tenta adicionar personagens secundários: Michelle (Elizabeth Longshaw), a esposa grávida de Bryce; Esposita (Angel Prater), especialista em tecnologia clandestina; e Ally (Catherine Lough Haggquist), a mãe de Jerome, que parece saber mais do que deveria. Mas todos eles funcionam mais como lembretes de que a vida dos protagonistas está indo ladeira abaixo do que como personagens reais.
E, claro, como todo found footage, o efeito começa a perder força depois de um tempo. A história é básica, os diálogos às vezes soam como se tivessem sido escritos por alguém que nunca conversou com outro ser humano, e a câmera tremida… ah, a câmera tremida. Ela treme tanto que parece ter sido segurada por alguém com labirintite, hipoglicemia e medo de escuro ao mesmo tempo. Se você sofre de enjoo, boa sorte.
O final tenta ser impactante, mas acaba sendo mais “ah, ok” do que “meu Deus”. É como se o filme tivesse abandonado a lógica para assustar e tentado retomar isso só nos últimos cinco minutos — tarde demais.
Ainda assim, para quem gosta de found footage, “POV – Presença Oculta” entrega exatamente o que promete: tensão, sustos ocasionais e aquela sensação de que você deveria ter tomado um remédio para náusea antes de apertar play. Não reinventa nada, não surpreende ninguém, mas cumpre o básico com competência.
É o tipo de filme que você assiste sabendo que não vai mudar sua vida — mas pode, sim, te fazer olhar para sua câmera de celular com desconfiança por uns dias.
















