Pecadores (por Peter P. Douglas)

Pecadores (Sinners, 2024), longa-metragem estadunidense de terror, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 17 de abril de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 132 minutos de duração.

O diretor Ryan Coogler entrega um filme que mistura drama histórico, terror e música de forma ousada. A história, que acontece no Mississipi em 1930, acompanha os irmãos gêmeos Fumaça e Fuligem (Michael B. Jordan em dupla performance), que voltam, para sua cidade natal, determinados a nunca mais se submeterem ao trabalho agrícola exploratório do sul dos Estados Unidos. Com dinheiro obtido em golpes contra a máfia de Chicago, eles compram um antigo serralheiro e planejam transformá-lo em um espaço de música, comida e bebida para a comunidade negra local.

O plano, no entanto, se complica quando descobrem que os moradores só podem gastar moedas de madeira distribuídas pelos donos das plantações, reflexo da opressão econômica do período de Jim Crow. A situação piora com a chegada de um vampiro irlandês (Jack O’Connell), que vê no clube uma oportunidade de expandir seu domínio. Mary (Hailee Steinfeld), ex-namorada de Fuligem, se torna uma vítima, e a trama se intensifica a partir daí.

O elenco é robusto: além de Jordan, que dá energia distinta a cada irmão, Wunmi Mosaku interpreta Annie, esposa de Fumaça; Miles Caton surge como Sammie, jovem músico que sonha com os clubes de Chicago e cuja voz atrai tanto os vivos quanto os mortos; Omar Benson Miller vive Broa de Milho, figura local que traz humor e peso dramático. A fotografia de Autumn Durald Arkapaw e o figurino de Ruth Carter reforçam a atmosfera de época, enquanto a trilha de Ludwig Göransson mistura blues e tensão sobrenatural.

Coogler, que já havia demonstrado domínio em unir espetáculo e crítica social em “Creed” e “Pantera Negra”, aqui se arrisca em um híbrido de gêneros. O filme alterna momentos de comédia, fantasia e horror sem perder o fio da crítica: a impossibilidade de uma comunidade negra simplesmente existir sem ser atacada por forças externas, sejam elas o racismo institucional ou criaturas fantásticas. O último ato, com Fumaça buscando vingança em tom quase tarantinesco, fecha a obra com uma mistura de catarse e melancolia. Sem contar, a cena pós-crédito.

Em resumo, “Pecadores” é uma produção que se destaca pela ambição e pela forma como usa o terror para falar de história e identidade. É ao mesmo tempo entretenimento e reflexão, um filme que mostra Coogler em plena confiança criativa.

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