
Para Sempre Medo (Keeper, 2025), longa-metragem de suspense e terror, coprodução Canadá e Estados Unidos, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 100 minutos de duração.
Se “Para Sempre Medo” fosse uma pessoa, seria aquele colega de trabalho que chega com um visual impecável, fala com voz baixa e misteriosa… e depois não entrega absolutamente nada do que prometeu. Osgood Perkins, mestre autoproclamado do “terror atmosférico”, volta com mais um filme que parece ter sido feito para ser admirado em silêncio — de preferência enquanto você tenta desesperadamente não olhar para o relógio.
A premissa até engana: casal vai para uma cabana isolada, o namorado some, e a protagonista fica sozinha com uma entidade maligna e um roteiro que jura que está construindo tensão. Só que, em vez de terror, o que temos é Liz lavando louça, andando pela casa e encarando árvores como se estivesse em um comercial de antidepressivo. Perkins ama “silêncio”, mas aqui o silêncio vira sinônimo de “não aconteceu nada de novo nos últimos dez minutos”.
Quando o primo Darren (Birkett Turton) e sua namorada Minka (Eden Weiss) aparecem, você pensa: “Agora vai!”. Mas não, agora não vai. Eles surgem, insinuam segredos, fazem cara de quem sabe de algo… e somem sem acrescentar muito além de mais uma rodada de diálogos enigmáticos que não levam a lugar nenhum. É como se o filme estivesse preso em um loop de “quase aconteceu alguma coisa”.
A protagonista, Tatiana Maslany, coitada, carrega o filme nas costas com a dignidade de quem sabe que merece coisa melhor. Ela entrega medo e sanidade em frangalhos — tudo isso enquanto o roteiro insiste em deixá-la vagando pela floresta como se estivesse procurando sinal de celular. O outro protagonista, Rossif Sutherland aparece pouco, mas o suficiente para você pensar: “Esse homem claramente sabe mais do que está dizendo”. Pena que o filme não sabe o que fazer com isso.
Visualmente, o filme é lindo. Lindo de um jeito que dá vontade de imprimir os frames e pendurar na parede. Mas, como todo mundo sabe, beleza não sustenta relacionamento — e muito menos um filme de terror. A fotografia é tão obcecada com árvores, neblina e água parada que você começa a achar que está vendo um catálogo de paisagismo.
E aí vem o “grande” twist. Aquele momento que deveria explodir sua mente… mas que você já tinha adivinhado antes mesmo de Liz ficar sozinha. Quando finalmente chega, não é um choque — é só o filme admitindo, com meia hora de atraso, aquilo que você já sabia. O clímax, que deveria ser aterrorizante, acaba parecendo uma reunião de condomínio com efeitos especiais.
No fim, “Para Sempre Medo” é o típico terror que acredita que atmosfera é tudo — e esquece que história, ritmo e surpresa também ajudam bastante. É bonito, é gelado, é cheio de intenção… mas vazio por dentro. Um terror folk que queria ser profundo, mas acabou não sendo.















