
Os Estranhos – Capítulo Final (The Strangers – Chapter 3, 2026), longa-metragem estadunidense de suspense e terror, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de abril de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 91 minutos de duração.
Quando “Os Estranhos: Capítulo Final” (“Capítulo 3” no original – o que me parece mais coerência e menos marketing) chegou à metade, lágrimas escorreram pelo meu rosto — não por empatia, medo ou qualquer emoção humana legítima. Não. Foi só meu corpo implorando por misericórdia depois de bocejar tanto que meus olhos secaram. Eu e mais sete sobreviventes saímos em silêncio (da cabine de imprensa), como quem abandona um velório de alguém que não conhecia muito bem.
A trama continua exatamente de onde “Os Estranhos – Capítulo 2” parou, o que é ótimo para quem gosta de sentir que está assistindo a um episódio de série que você não pediu para ver. Os dois estranhos restantes ainda perseguem Maya. O xerife continua com cara de quem deveria estar em outro filme. A cidade inteira ainda está envolvida, embora ninguém pareça muito animado com isso. Maya anda, é sequestrada, anda mais um pouco, é sequestrada de novo… até que, com 1h31 de filme, ela simplesmente some da narrativa. Honestamente, eu também teria fugido.
Normalmente eu contextualizaria a história, mas aqui seria um desperdício de energia vital. Você não precisa ter visto o primeiro nem o segundo filme — e, ouso dizer, talvez seja melhor assim. A obra é o tipo de produção feita sob medida para passar na TV às 3 da manhã, quando você está cansado demais para trocar de canal e emocionalmente fraco demais para fazer qualquer outra coisa.
A trilogia promete revelar a origem dos assassinos, mas continua não revelando absolutamente nada. Os flashbacks sugerem que eles nasceram com problemas, ou que a religião os corrompeu, ou que sofreram abuso, ou que tudo é uma metáfora sobre corrupção policial. Ou talvez seja só um amontoado de ideias jogadas no liquidificador. No fim, a única certeza é que ninguém se deu ao trabalho de decidir qual era a resposta.
O filme tenta filosofar sobre amor, escuridão e a paz interior de ser um serial killer, mas tudo soa como letra descartada de banda emo de 2007. Eles insinuam rituais, mas não explicam nada. Repetem assassinatos como se fosse um ciclo artístico profundo, mas na prática ninguém sabe. O filme abre com uma definição batida de “assassino em série”, como se fosse dizer algo inteligente sobre o tema, mas termina murmurando “sociopatas, né? doideira”.
Madelaine Petsch faz o que pode com um roteiro que parece ter sido escrito por alguém que estava simultaneamente entediado e atrasado para o almoço. Richard Brake (o xerife) aparece mais, o que é sempre bom, mas nem ele consegue salvar o material. O elenco inteiro está preso em um pântano de diálogos sem vida e cenas que parecem durar horas.
Tecnicamente, o filme até tenta. A iluminação melhorou. O resto, porém, afunda como um tijolo. A direção de câmera não tem um pingo de criatividade. A mixagem de som parece projetada para destruir tímpanos com sustos irritantes. As mortes são mal executadas e praticamente censuradas pela edição – e olha que esse é o mais violento entre os três capítulos. Tudo isso em um filme de mais de 7 milhões de dólares. Pelo visto, metade do orçamento foi gasto em músicas aleatórias que tocam sem motivo algum.
Se o “Capítulo 1” e o “Capítulo 2” já não tinham lá muita alma, “Os Estranhos: Capítulo Final” é um corpo vazio vagando por aí, sem propósito, sem energia e sem nada que justifique sua existência. Talvez a única coisa realmente assustadora com esse filme é imaginar um casal azarado, enganado pelo marketing, assistindo a isso no Dia dos Namorados.
















