
O Último Grande Herói (Last Action Hero, 1993) é um filme que, em seus 130 minutos de duração, tenta brincar com os limites entre o que é real e o que é ficção, usando como ponto de partida a paixão de um garoto por filmes de ação.
Danny é fã da franquia Jack Slater, estrelada por Arnold Schwarzenegger, e acaba entrando literalmente dentro do universo do cinema por meio de um ingresso mágico. A partir daí, o filme se divide entre dois mundos: o da tela e o da vida fora dela.
A proposta é misturar ação com comédia e fazer uma espécie de paródia dos clichês do gênero. Há referências a outros filmes, personagens conhecidos aparecem em segundo plano, e o roteiro tenta fazer piada com situações que o público já viu dezenas de vezes. Schwarzenegger interpreta tanto o herói fictício quanto a si mesmo, o que gera momentos curiosos, especialmente quando o personagem começa a perceber que talvez não seja tão real quanto imagina.
O filme tem uma estrutura que parece ter sido montada por várias mãos, e isso se reflete em algumas mudanças de tom e ritmo ao longo da história. Há cenas que funcionam bem isoladamente, mas nem sempre se conectam de forma fluida. Mesmo assim, dá para perceber que há uma tentativa de fazer algo diferente, ainda que o resultado não seja totalmente coeso.
A direção de John McTiernan, que já havia comandado sucessos como “Predador” (1987) e “Duro de Matar” (1988), tenta equilibrar o espetáculo com uma crítica leve à indústria. O roteiro, que passou por várias versões, deixa algumas pontas soltas e situações que poderiam ser melhor desenvolvidas. O garoto interpretado por Austin O’Brien tem carisma, e a dinâmica com Schwarzenegger segura boa parte do filme.
“O Último Grande Herói” não foi bem recebido na época do lançamento, talvez por ter saído logo após “Jurassic Park”, o que ofuscou sua estreia. Mas com o tempo, passou a ser visto com mais curiosidade, especialmente por quem gosta de cinema e entende as referências que ele faz. É um filme divertidíssimo, que tenta brincar com o próprio formato, mesmo que nem tudo funcione como deveria.














