
O Último Azul (The Blue Trail, 2025), longa-metragem nacional dramático, distribuído pela Vitrine Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 28 de agosto de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 85 minutos de duração.
O diretor Gabriel Mascaro, assim como fez em seus títulos anteriores, segue explorando um Brasil futurista distópico, mas desta vez ele vira o foco para algo que raramente ganha protagonismo no cinema: a velhice. Em vez de falar sobre começos, ele mergulha no que muitos consideram o fim.
Tereza, interpretada por Denise Weinberg, tem 77 anos e vive numa pequena cidade amazônica onde os idosos, quando atingem determinada idade, são obrigados a se mudarem para uma colônia isolada. A justificativa oficial é que os mais jovens precisam trabalhar e manter a produtividade, enquanto os mais velhos devem viver seus últimos anos em “paz”. Mas essa paz soa mais como exclusão. Fugir desse destino é quase impossível, já que o sistema exige que qualquer pessoa com aparência envelhecida apresente autorização da cuidadora — no caso de Tereza, sua filha — para realizar ações simples como comprar comida, uma passagem de ônibus ou avião.
Quando o governo reduz o limite de idade e Tereza se vê incluída na nova regra, ela decide que quer fazer algo que nunca fez: voar. Um desejo simples, mas carregado de significado, especialmente para alguém que passou a vida inteira cuidando dos outros. Ao ter seu pedido negado pela filha, ela parte sozinha em busca desse sonho. No caminho, cruza com figuras que transformam sua jornada, entre elas: Cadu, vivido por Rodrigo Santoro, um “marinheiro” que a ajuda a escapar e a apresenta a um misterioso líquido azul extraído de um caracol — uma substância com propriedades quase mágicas. Mais adiante, ela encontra Roberta (Miriam Socarrás), que lhe oferece uma nova forma de enxergar a vida.
O filme mistura elementos de road movie com uma estética quase surreal. Há humor, há estranhamento, há beleza nas paisagens que servem de pano de fundo para essa travessia. Mascaro constrói tudo com cuidado, equilibrando crítica social com momentos de leveza. A questão geracional está sempre presente, mas nunca de forma óbvia. É como se o filme dissesse: envelhecer não é parar, é mudar de ritmo. Tereza não está olhando para trás com saudade — ela está olhando para frente, com desejo.
Denise Weinberg entrega uma atuação em que sua presença domina a tela. Os personagens que ela encontra pelo caminho são tão bem construídos que poderiam facilmente protagonizar seus próprios filmes. E isso só reforça o talento de Mascaro em criar um universo rico, onde cada encontro tem peso.
No fim das contas, “O Último Azul” é mais do que uma história sobre envelhecer — é sobre continuar desejando, mesmo quando o mundo tenta te convencer de que já é tarde demais para isso. E isso, no fim das contas, é o que mantém qualquer um em movimento.








