
O Telefone Preto (Black Phone, 2021), longa-metragem estadunidense de suspense e terror, distribuído pela Universal Pictures, com classificação indicativa 16 anos e 96 minutos de duração.
O filme parte de uma ideia simples e direta: um garoto sequestrado por um assassino começa a receber ligações de um telefone que não deveria funcionar. O que ele ouve são vozes de outras vítimas, que tentam ajudá-lo a escapar. A história se passa nos anos 1970, e a ambientação remete a uma época em que crianças andavam sozinhas pelas ruas e o medo vinha de algo mais próximo do que se imagina.
O diretor Scott Derrickson usa lembranças da própria infância para montar o cenário. Ele cresceu em Denver, onde a trama se desenrola, e já falou em entrevistas sobre episódios marcantes que viveu — violência doméstica, assassinatos na vizinhança, o impacto de serial killers como Ted Bundy. Isso tudo se reflete na forma como o filme trata o medo: não como algo distante, mas como parte do cotidiano.
Ethan Hawke interpreta o sequestrador com uma máscara que muda de expressão. Ele não aparece o tempo todo, mas quando surge, há uma tensão que se sustenta mais pelo que não é dito do que pelo que é mostrado. O garoto Finney, vivido por Mason Thames, tenta encontrar uma saída enquanto lida com lembranças, conselhos e pistas deixadas por quem já passou por aquilo.
O filme constrói a situação aos poucos, deixando espaço para o público entender o que está em jogo. A relação entre Finney e sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) também é importante. Ela tem sonhos que parecem indicar onde o irmão está, e isso serve como uma ponte para o sobrenatural.
“O Telefone Preto” é baseado em um conto de Joe Hill, filho de Stephen King. Dá para perceber a influência do pai, mas o filme tem um ritmo próprio. Ele não tenta ser grandioso, nem se perde em explicações. É uma história sobre sobrevivência, sobre encontrar força quando tudo parece perdido. E sobre como o passado pode ajudar a mudar o presente, mesmo que venha por meio de um telefone que ninguém mais ouve tocar.















