
O Som da Morte (Whistle, 2025), longa-metragem de terror, coprodução Canadá e Irlanda, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 100 minutos de duração.
Dafne Keen ganhou destaque mundial após interpretar a X-23 em “Logan” (2017). A partir disso, ela ampliou seu alcance, assumindo o protagonismo em séries como “His Dark Materials” e “The Acolyte”. Agora, com “O Som da Morte”, Keen mergulha pela primeira vez no terror, um território que abre espaço para explorar outras facetas de sua atuação. Ela divide a cena com Sophie Nélisse, conhecida pela séria “Yellowjackets”.
A trama acompanha Chrys (Keen), uma adolescente em crise que, após perder o pai, passa a viver com o primo. Tentando se encaixar em uma nova cidade, ela acaba encontrando (ou sendo encontrada) um apito em formato de caveira marcado por glifos astecas. O objeto, claro, guarda algo além da aparência estranha, e logo Chrys e os novos amigos se veem diante de uma ameaça que não conseguem compreender.
Apesar desse elemento sobrenatural dar um toque diferente à trama, o filme segue caminhos bastante conhecidos e não alcança a profundidade que parece buscar. Mesmo com boas atuações e uma direção segura, acaba escolhendo uma rota tradicional demais para realmente se destacar.
Como já fica claro para o público que assistiu os trailers, o artefato que dá nome ao filme convoca a morte para aqueles que escutam seu som perturbador. Cada pessoa tem um destino específico, e essa força sobrenatural surge de maneiras variadas para cumprir o que seria inevitável apenas muitos anos — ou até décadas — depois. Essa proposta é o ponto mais interessante do roteiro de Owen Egerton, pois abre espaço para sequências de morte realmente inventivas, nas quais as vítimas fazem de tudo para escapar de fins terríveis. Além disso, Corin Hardy, que dirigiu o subestimado “A Freira” (2018), demonstra novamente habilidade ao combinar efeitos práticos e digitais para criar o tipo de carnificina que o público de terror costuma apreciar nas telonas.
Dado o tema, é inevitável não pensar na saga “Premonição”. Os dois seguem a mesma lógica: um slasher sobrenatural em que a própria morte passa a perseguir um grupo de estudantes, enquanto eles tentam descobrir uma forma de deter algo que não pode ser parado. O problema é que essa comparação não favorece “O Som da Morte”. Embora o filme entregue cenas de morte bem elaboradas, a mitologia ligada ao apito antigo muda de forma constante, o que enfraquece a credibilidade das regras e dificulta manter a suspensão da descrença. Ademais, o filme se “apropria” de ideias de outros dois filmes: “O Tarô da Morte” (2024) e “Sorria 2” (2024).
Fica claro que Egerton se colocou numa posição complicada ao priorizar o impacto visual, deixando a coerência interna em segundo plano. O filme, apesar de compensar as falhas do roteiro com uma produção caprichada, encontra no elenco, desempenhos essenciais para mantê-lo de pé.
No fim das contas, “O Som da Morte” é um filme cheio de potencial que nunca encontra o tom ideal. As falhas do roteiro são compensadas pelo carisma das protagonistas fazendo a experiência valer a sessão. Trata-se de um terror pipoca bem produzido e bem interpretado, que reforça por que Keen e Nélisse se destacam tanto entre os nomes de sua geração. Se você conseguir deixar o lado crítico de lado por algumas horas, há tensão e sangue suficientes para satisfazer quem busca algo mais sombrio.















