
O Refúgio (The Bluff, 2026), longa-metragem estadunidense de ação, estreia, oficialmente, no streaming do Prime Video, a partir de 25 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 103 minutos de duração.
É quase comovente — ou talvez só conveniente — que “O Refúgio”, o épico de capa e espada de Frank E. Flowers, abra com a expressão “Piratas do Caribe” estampada no texto inicial. Não porque o filme tenha qualquer parentesco com a franquia da Disney, mas porque parece um lembrete involuntário de que, aqui, piratas não são charmosos, engraçadinhos ou cheios de frases de efeito. São vilões mesmo, daqueles sem glamour, retratados como escravocratas e colonizadores. Uma ousadia… até o momento em que você lembra que o filme é produzido pelos irmãos Russo, e aí entende por que essa ousadia dura uns cinco minutos.
Sim, porque o filme até flerta com temas mais sérios, mas logo volta correndo para o conforto dos clichês de ação sobre “família em perigo”, como se tivesse medo de assustar o público com qualquer acréscimo. Flowers e Joe Ballarini parecem ter decidido que o melhor caminho era entregar algo “diferentinho”, mas não muito, porque ninguém quer arriscar demais quando se pode simplesmente repetir fórmulas.
Ao entrar em contato com a tripulação de TH Bodden (Ismael Cruz Cordova) e descobrir algumas das barras de ouro marcadas mencionadas anteriormente, o Capitão Connor é feito refém pelos piratas, que o obrigam a revelar a localização do tesouro roubado, levando-os a uma ilha das Ilhas Cayman
A trama envolve o Capitão Connor (Karl Urban), que ao entrar em contato com a tripulação de TH Bodden (Ismael Cruz Cordova), descobre barras de ouro marcadas e, claro, resolve levar seus piratas rumo ao ponto de origem desse tesouro. Isso leva todos a uma ilha nas Cayman, onde o filme tenta tirar proveito das locações reais — e consegue, até certo ponto. O problema é que, logo depois, tudo vira um cerco sangrento à população local, colocando Ercell Bodden (Priyanka Chopra Jonas) e sua família no centro da confusão.
E é aí que o filme resolve mostrar sua carta mais interessante: Ercell não é apenas uma dona de casa inocente. Ela é praticamente uma máquina de combate escondida atrás de um avental. A sequência de invasão domiciliar é tão coreografada que parece que cada móvel da casa assinou contrato para participar da luta. Tem faca, tem arma antiga, tem combate corpo a corpo… falta só alguém gritar “Finish him”.
Enquanto isso, do lado de fora, os moradores tentam repelir piratas com um canhão, porque por que não. E, quando o filme foca só na pancadaria, até funciona: é divertido, é barulhento, e quase dá para esquecer que poderia ter sido muito mais interessante se não tivesse medo de sair da zona de conforto.
Mas aí vem a parte em que os cineastas decidem que o público não vai entender nada sem uma tonelada de exposição. Flashbacks, explicações mastigadas, passado traumático, obsessões mal resolvidas… tudo jogado na tela como se fosse revelação bombástica, quando na verdade só atrapalha o ritmo. A relação antiga entre Ercell e Connor, por exemplo, surge como se fosse um grande segredo, mas parece mais uma adição de última hora para justificar o vilão agir como um ex-namorado ressentido.
A ação continua, claro — selvas, cavernas, penhascos, tudo muito variado — mas o filme cai naquele padrão genérico que infesta serviços de streaming. A salvação vem de três lugares: as locações reais (ignorando o ocasional CGI duvidoso), a atuação física impressionante de Priyanka Chopra Jonas e a trilha sonora de Henry Jackman, que faz o possível para dar grandeza ao que o roteiro não entrega.
No fim das contas, “O Refúgio” é um filme que poderia ter sido ousado, mas preferiu jogar seguro. É divertido o suficiente para passar o tempo, especialmente graças a Chopra Jonas, mas não chega perto de explorar o que tinha de mais interessante. É um veículo de ação digno para ela — e só para ela. O resto fica à deriva, como um navio pirata sem bússola.















