O Que Josiah Viu (por Casal Doug Kelly)

O Que Josiah Viu (What Josiah Saw, 2021) é um excelente longa-metragem, dividido em capítulos — porque nada diz “terror psicológico” como separar a desgraça em partes organizadas — e vai revelando seu grande mistério aos poucos, como se estivesse fazendo um favor. E, claro, quando tudo finalmente se encaixa, o terror fica “ainda mais real”, mesmo que você já tenha adivinhado metade das reviravoltas antes do filme chegar na metade.

A premissa é simples: todos na cidade conhecem a famigerada Fazenda Graham, aquele lugar “sombrio” que todo mundo evita, mas que convenientemente vira ponto de encontro da família mais traumatizada do condado. Josiah (Robert Patrick) e seu filho Thomas (Scott Haze) são os últimos sobreviventes dessa linhagem abençoada, até que visões do além convencem Josiah de que é hora de “corrigir um grande erro”. Nada suspeito. Enquanto isso, os filhos mais velhos, Eli (Nick Stahl) e Mary (Kelli Garner), que fugiram há mais de vinte anos, são chamados de volta para vender a propriedade — porque nada cura traumas como uma reunião familiar em uma casa assombrada.

Talvez a única “queixa” — palavra forte, mas vamos lá — é que o filme é um pouco longo. Não arrastado, só… longo o suficiente para você se perguntar se realmente precisava de tudo isso. Mas como as vezes é bom uma narrativa lenta e cheia de personagens quebrados, funcionou. O terror fica ali, rastejando sob a superfície, esperando o momento certo para sair. E quando sai, funciona.

O filme entrega sustos imaginados, sustos físicos e aquele tipo de desconforto que faz você repensar sua relação com a própria família. Acompanhamos três irmãos em três capítulos distintos, todos orbitando a figura tirânica do pai e a sombra da mãe, cujo suicídio — claro — será explicado em detalhes. Porque trauma pouco é bobagem.

A Fazenda Graham, famosa por ser “assombrada”, entra no radar de uma empresa petrolífera, porque obviamente até os fantasmas precisam lidar com especulação imobiliária. Robert Patrick, aliás, está se especializando no papel de “Pior Pai da Ficção”, acumulando títulos com orgulho. Thomas, interpretado por Scott Haze, sofre tanto que você quase quer entrar no filme para ajudá-lo. Eli e Mary completam o trio de adultos emocionalmente destruídos, cada um carregando sua própria mala de problemas (e intimidades) — quase sempre presenteada pelo papai.

O filme exige paciência, mas recompensa. Tudo se encaixa de um jeito tão perturbador que você até esquece que estava achando longo. A direção de Vincent Grashaw e o roteiro de Robert Alan Dilts constroem uma história que se revela devagar, mas com impacto.

No fim, “O Que Josiah Viu” é aquele tipo de filme que você termina pensando: “Ok, isso foi pesado… mas valeu a pena.” E, sinceramente, para um terror familiar cheio de segredos, isso é recompensador.

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