
O Guardião: Sob a proteção de São José (Opiekun, 2023), longa-metragem polonês de drama, distribuído pela Kolbe Arte, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de março de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 88 minutos de duração.
A história se inicia na cidade de Kalisz na Polônia, onde acompanhamos a violinista Dominika Kordecka (Karolina Chapko) sendo observada com afinco, por dois homens, durante sua apresentação em um teatro. Um deles é seu marido, Robert Kordecki (Rafal Zawierucha), radialista, pai de seu filho Yurich, de 10 anos. O outro é Marcin Waleski (Radoslaw Pazura), empresário do ramo de instrumentos musicais e um sedutor sem escrúpulos.
Dominika é uma mulher ambiciosa, uma violinista talentosa. Ela está em um momento decisivo de sua vida. Sonha com grandes conquistas, mas enfrenta diiculdades financeiras e pessoais. Sua relação com Robert, está em crise, o que a leva a considerar opções que podem mudar sua vida drasticamente (quando a estrutura familiar enfraquece, sempre há quem se beneficie do caos e se aproveite das rachaduras de um casal para ampliar o abismo entre eles).
Com a ausência de um colega de trabalho, Robert fica a cargo das matérias sobre São José (José de Nazaré). Durante as entrevistas, as figuras que cruzam seu caminho surgem como guias. O que lhe ajudará futuramente a responder a pergunta: seria Robert capaz de agir como São José e assumir o papel de guardião de sua família?
A obra, dirigida por Dariusz Regucki, utiliza uma estrutura híbrida, misturando a narrativa ficcional, interpretada por atores, com elementos documentais, como o uso de materiais de arquivo para aprofundar a figura histórica e espiritual que o longa retrata, sempre com a fé como eixo. A intenção é unir cinema e testemunho, e essa escolha molda todo o tom da obra. Em alguns momentos, essa fusão cria uma atmosfera de sinceridade; em outros, pesa sobre a fluidez da história, tornando-a mais declarativa do que orgânica. Ainda assim, o filme acredita profundamente na mensagem que carrega — e essa convicção transparece.
Importante ressaltar que, o personagem principal no filme não é Dominika, nem Robert e muito menos Marcin. O verdadeiro protagonista é São José, reconhecido como esposo da Virgem Maria e Pai adotivo de Jesus – um santo reconhecido pela igreja. O filme explora a decisão de José de assumir a paternidade de Jesus Cristo, traçando paralelos entre os desafios do passado e do presente.
A grande intenção da obra, ao meu ver, foi mostrar que as figuras bíblicas, muitas vezes vistas como “míticas”, possuem dilemas e escolhas morais extremamente atuais. O filme propõe que São José pode servir como um modelo de conduta e um referencial para os jovens e famílias de hoje, mostrando que os valores descritos na Bíblia ainda são relevantes.
No fim, “O Guardião: Sob a proteção de São José” é um filme que acaba sendo feito para um público específico, mas que encontra sinceridade justamente por não tentar ser outra coisa. Mesmo quando escorrega em algumas partes, há algo sincero na forma como insiste em acreditar que a vida pode ser reorganizada a partir de um gesto de fé — e essa insistência acaba sendo o que permanece depois que os créditos sobem.











