O Frio da Morte (por Casal Doug Kelly)

O Frio da Morte (Dead Of Winter, 2025), longa-metragem estadunidense de suspense, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 97 minutos de duração, dirigido por Brian Kirk, e roteiro de Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb.

Filmado na Finlândia e ambientado na gelada Minnesota nos Estados Unidos, “O Frio da Morte” é estrelado pela duas vezes vencedora do Oscar, Emma Thompson, como Barb, viúva de um pescador que também era dono de uma loja de iscas e equipamentos. Atendendo ao último desejo do marido, Carl, ela parte em uma viagem até o Lago Hilda. Em flashbacks, vemos Gaia Wise, filha de Thompson na vida real, interpretando a versão jovem de Barb. Gradualmente, vamos descobrindo o romance que definiu sua vida e o homem por quem está sofrendo.

A história, até então emocionante, dá uma guinada quando Barb se perde em uma estrada rural e se depara com um casal de sequestradores em uma cabana isolada nas montanhas — a Dama Roxa (Judy Greer) e o Cara da Jaqueta Camuflada (Marc Menchaca) – como são creditados. Sem ter como pedir ajuda por telefone, ela usa suas habilidades especiais de sobrevivência, adquiridas em uma vida de condições adversas, para tentar um resgate. Mas logo descobrirá que, em Minnesota, até a gentileza pode cobrar um preço alto.

Vamos começar falando sobre a atuação de Emma Thompson. A atriz é um dos nomes mais confiáveis ​​da indústria do cinema, então, ver o nome dela nos créditos iniciais causou a impressão de que ela traria um pouco de estabilidade ao filme… o que acabou nos decepcionando, já que sua interpretação foi um dos pontos mais fracos. Sua atuação foi um pouco dramática demais, a ponto de nos remexermos sempre que ela demorava muito para fazer algo. Além disso, seus trejeitos não pareciam nada naturais, o que é uma pena, porque ela tem atuações invejáveis em sua carreira.

O filme ainda sofre com sérios problemas de ritmo, pois, vários momentos são acelerados e depois desacelerados. Temos ação, suspense e depois temos Barb passando longos — e eu realmente quero dizer longos — minutos costurando os próprios ferimentos depois de levar um tiro, numa cena que deixa o espectador dividido entre a tensão e a vontade de levantar da cadeira para ajudá-la só para aquilo acabar logo.

Até agora, tudo o que foi dito realmente pinta o filme como um desastre cinematográfico ambulante, mas aqui vai a verdade inconveniente: ele não é ruim. Longe disso. O problema é justamente o oposto — ele tinha tudo para ser ótimo, um daqueles que você recomenda com brilho nos olhos — mas, no fim, entrega só o suficiente, e não o bastante para encantar.

Entre as qualidades que realmente salvam o filme do frio emocional que ele mesmo cria, está a atuação de Judy Greer — que aqui entrega uma psicopata tão convincente que você quase sente vontade de checar se trancou a porta de casa. Ela interpreta o egoísmo como se fosse uma arte performática: quem cruzar o caminho dela paga o preço, sem cupom de desconto. É o tipo de personagem que faz você pensar “ok, agora sim temos alguém levando isso a sério”.

E já que estamos falando de acertos, a trilha sonora merece um aplauso caloroso. Você provavelmente ainda não assistiu ao filme, caro leitor, mas basta saber que Volker Bertelmann — sim, ele mesmo, que vem acumulando elogios desde que levou o Oscar — é quem assina a música. E ele não decepciona. A trilha funciona como um cobertor sonoro que te abraça enquanto o roteiro tenta te empurrar para fora da cama. É elegante, tensa na medida certa e muito mais consistente do que vários elementos do próprio filme.

Por fim, quero falar sobre a história. Não há praticamente nada neste filme que já não tenhamos visto antes. A protagonista se torna uma heróina inesperada ao se ver no meio de uma trama nefasta que inevitavelmente acaba frustrando. Os clichês parecem e são muito familiares, mas deve-se elogiar os roteiristas por nos darem um final ousado que, sinceramente, ninguém esperava.

Apesar dos altos e baixos que o filme entrega ao longo do caminho, “O Frio da Morte” consegue, no fim das contas, deixar uma mensagem surpreendentemente comovente sobre princípios, sacrifício e o valor quase sagrado de dividir uma vida simples com alguém que se ama.

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