
O Filho de Mil Homens (The Son of a Thousand Men, 2025), longa-metragem dramático nacional, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), distribuído pela O2 Play e Netflix, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 30 de outubro de 2025, e no streaming, a partir do dia 19 de novembro de 2025, com classificação indicativa Livre e 128 minutos de duração.
O filme emociona com uma história que se abre como uma conversa entre pessoas que se reconhecem pela dor da rejeição e pelo afeto. Rodrigo Santoro interpreta Crisóstomo com uma entrega que não depende de grandes diálogos. Ele vive um pescador que chega aos 40 anos com um desejo que parece pequeno, mas que muda tudo: ser pai. Ao encontrar Camilo, um menino órfão, ele começa a descobrir que a família pode nascer de encontros inesperados. A relação entre os dois é construída com cuidado, sem pressa, e ganha força à medida que outras pessoas se aproximam — Isaura, Antonino, cada um com suas marcas e seus medos.
O longa tem sua trama principal, mas é construído através de várias histórias que mostram o passado e a trajetória de pessoas que moldaram o presente dos personagens. Daniel Rezende dirige com atenção ao que não é dito. Ele não tenta transformar o livro de Valter Hugo Mãe em um roteiro convencional. Prefere deixar que as imagens falem. A fotografia de Azul Serra contribui com essa escolha, pois o mar, as redes, os rostos iluminados pelo entardecer — tudo ajuda a criar essa atmosfera.
Johnny Massaro, como Antonino, entrega uma atuação que cresce com o tempo. Seu personagem começa preso a uma vida que não o acolhe, e aos poucos encontra espaço para ser quem é. Rebeca Jamir, como Isaura e Miguel Martines como Camilo, acrescem ao longa atuações que fizeram lágrimas rolarem em momentos que conectam pela delicadeza. Cada um traz uma história que se soma à de Crisóstomo.
O diretor Valter Hugo Mãe declarou que se sentiu honrado com a adaptação e que a considerou fiel ao espírito do livro e capaz de caminhar com autonomia. “O Filho de Mil Homens” não precisa de grandes reviravoltas (ainda que as tenha) para alcançar quem assiste. Ele se constrói com encontros, com pausas, com gestos pequenos que dizem muito. É um filme que convida a pensar sobre vínculos e como escolhemos formá-los, ainda que existam diferenças gritantes.












