O Elixir (por Casal Doug Kelly)

Dirigido por Kimo Stamboel, o filme indonésio “O Elixir” (Abadi Nan Jaya AKA The Elixir, 2025) começa com uma cerimônia tranquila e bucólica — até que um carro desgovernado decide participar da festa sem convite. O motorista sai do veículo e, como qualquer ser humano faria numa situação dessas, começa a devorar a primeira pessoa que encontra. Depois dessa abertura sutil e delicada, Stamboel volta algumas horas no tempo para apresentar os personagens principais.

Dimin (Donny Damara), recém-aposentado e dono de uma empresa de medicamentos fitoterápicos, está testando sua nova fórmula — ainda não aprovada pela vigilância sanitária, mas quem liga para detalhes burocráticos quando se pode virar cobaia de si mesmo? Enquanto isso, seus filhos, o irresponsável Bambang (Marthino Lio) e a responsável Kenes (Mikha Tambayong), junto com o marido traidor de Kenes, Rudi (Dimas Anggara), planejam vender a empresa pelas costas dele. Kenes, aliás, já está com o divórcio engatilhado e pronta para abrir seu próprio negócio enquanto cria o pequeno Raihan (Varen Arianda Calief), porque drama familiar nunca é demais.

Assim que o elixir faz efeito, Dimin rejuvenesce e imediatamente leva a esposa, Karina (Eva Celia), para comemorar o novo vigor físico — prioridades, claro. Logo depois, ele anuncia que não venderá a empresa, o que cai tão bem quanto um zumbi numa creche. A tensão familiar explode, Karina tenta intervir e Kenes a corta no meio, revelando que ali tem mais ressentimento acumulado do que em novela das nove. Mas antes que todos possam lavar a roupa suja, o elixir resolve mostrar seu verdadeiro potencial: transforma o jovem Dimin em um monstro digno de pesadelos, com veias saltando, pele se contorcendo e um apetite por carne humana que faria inveja a qualquer criatura do folclore.

O massacre começa, funcionários viram aperitivo, familiares viram prato principal, e a reunião de família rapidamente se transforma em um evento que ninguém vai esquecer — isso se alguém sobreviver para lembrar.

O que torna “O Elixir” eficaz, além da quantidade generosa de sangue, vísceras, ossos estalando e membros voando, é o foco na dinâmica familiar. E, como se uma família disfuncional não fosse suficiente, Stamboel ainda adiciona um jovem casal da cena inicial — Rahman (Ardit Erwandha), um policial, e Ningsih (Claresta Taufan) — que ganham mais espaço conforme a história avança. O roteiro parece adorar se enfiar em becos sem saída só para depois mostrar como pretende explodir a parede. Os mortos que voltam à vida têm duas características fundamentais: correm como se estivessem atrasados para o trabalho e estão sempre famintos.

Sacrifícios nobres acontecem, reviravoltas melodramáticas surgem do nada e os corações dos personagens — e do público — são testados até o limite. “O Elixir” já avisa na primeira cena que “não é para todos”. Depois disso, ele faz questão de provar exatamente por quê.

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