
O Caso dos Estrangeiros (I Was a Stranger, 2024), longa-metragem dramático, coprodução Jordânia e Turquia, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 104 minutos de duração.
Em um mundo onde as manchetes sobre conflitos parecem nunca tirar férias, “O Caso dos Estrangeiros” chega como um soco direto no estômago — daqueles que te fazem pensar “ah, ótimo, mais uma verdade inconveniente para a coleção”. Este é o primeiro grande filme de Brandt Andersen (baseado em seu curta-metragem “Refugge, 2020”), e ele já chega mostrando serviço: cinco completos desconhecidos, unidos pelo destino e pelo simples fato de que a vida decidiu jogar no modo difícil. Eles atravessam uma Síria destruída, mares que fariam Poseidon pedir demissão e fronteiras que tratam seres humanos como inconvenientes administrativos. O filme te agarra pelo colarinho e não te devolve até os créditos.
A crítica amou, Berlim aplaudiu, a Anistia Internacional entregou prêmio — basicamente, todo mundo concordou que este filme não está aqui para brincadeira. E, claro, ele também serve como lembrete de que por trás de cada manchete sensacionalista existe uma pessoa real tentando sobreviver, e não apenas “mais um número na estatística”.
A história gira em torno de Amira, interpretada por Yasmine Al Massri. Ela foge do caos de Aleppo e, como efeito colateral, desencadeia uma série de encontros que mudam vidas. Temos sua filha, um contrabandista com moral flexível (Omar Sy), um capitão da guarda costeira grega que claramente não ganha o suficiente para lidar com esse tipo de dilema (Constantine Markoulakis), e outros personagens que se entrelaçam numa narrativa sobre sacrifício e humanidade.
Andersen, que já trabalhou em campos de refugiados, conta essa história em quatro continentes, mas mantém tudo incrivelmente íntimo. Não é sobre explosões, perseguições ou discursos inflamados — é sobre como a guerra destrói famílias com a mesma facilidade com que a gente perde um guarda-chuva no metrô.
O elenco é um espetáculo à parte. Cada ator parece tão real que você quase se sente mal por lembrar que eles estão atuando. Omar Sy abandona o charme habitual para interpretar um contrabandista cheio de arrependimentos; Yasmine Al Massri entrega uma Amira tão intensa que cada olhar dela parece um capítulo inteiro; e Constantine Markoulakis surge como um herói trágico que merecia, no mínimo, um feriado nacional. Até os coadjuvantes brilham: um poeta traumatizado, um soldado dividido entre ordens e consciência… ninguém está ali só para preencher espaço.
A mensagem é cristalina: o filme combate o medo e o ódio ao “estrangeiro” mostrando que refugiados não são vilões, mas pessoas tentando sobreviver ao caos que outros criaram. Ele lembra que aqueles que chamamos de “outros” são, na verdade, assustadoramente parecidos conosco. E, mesmo assim, o filme encontra espaço para esperança — porque alguém precisa manter a chama acesa.
Mesmo com orçamento modesto, Andersen entrega um filme com cara de produção milionária, provando que paixão e história forte valem mais do que qualquer cheque gordo. Já coleciona prêmios e, sinceramente, merece ser visto por todo mundo que ainda acredita que cinema pode mudar alguma coisa.
“O Caso dos Estrangeiros” é um drama (quase documental) profundo que explora o verdadeiro significado de amar, servir e enxergar os outros de uma nova maneira. O filme convida o espectador a examinar suas suposições, seus medos e sua disposição para estender compaixão àqueles que são diferentes deles. É um filme reflexivo, repleto de mensagens, que funciona melhor quando assistido com o coração aberto à autorreflexão.















