
No Céu da Pátria Nesse Instante (2023), longa-metragem documental nacional, distribuído pela O2 Play, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 14 de agosto de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 106 minutos de duração.
Trata-se de um filme que não se contenta em apenas registrar os fatos — ele se infiltra nas rachaduras da sociedade brasileira e escuta o que ecoa lá dentro. Dirigido por Sandra Kogut, com Henrique Landulfo como produtor e diretor assistente, o documentário foi gestado durante o ano eleitoral de 2022 e atravessa os eventos que culminaram na invasão dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Mas o que torna esse filme tão potente não é só o que ele mostra, e sim como ele escolhe mostrar.
A estrutura é híbrida, feita de fragmentos: videochamadas, registros caseiros, imagens captadas por equipes profissionais. Essa mistura de linguagens não é só estética — ela reflete a multiplicidade de vozes e realidades que o filme tenta abarcar. A diretora não busca uma narrativa unificada, e sim um mosaico de percepções. Há personagens de diferentes regiões e espectros políticos, e o filme não os julga nem os confronta com agressividade. Em vez disso, há uma escuta ativa, mesmo quando o diálogo se rompe, como na cena em que um bolsonarista diz à diretora: “Parece que eu estou em uma realidade, e você em outra.”
Esse momento encapsula bem o espírito do filme: a tentativa de entender um país que parece viver em universos paralelos. A tensão não está apenas nos eventos políticos, mas na dificuldade de comunicação entre brasileiros. E o filme não tenta resolver isso — ele apenas mostra, com honestidade e uma certa melancolia, que talvez não haja solução simples.
A montagem é precisa, mas não apressada. A trilha sonora, assinada pelo coletivo O Grivo, contribui com uma camada sensorial que não compete com as imagens, mas as acompanha como uma respiração.
O filme é também um documento histórico, mas não no sentido tradicional. Ele não se propõe a explicar os fatos, e sim a registrar o clima, o sentimento, o ruído de fundo de um país em ebulição. É como se dissesse: “Olha, foi assim que nos sentimos. Foi assim que falamos. Foi assim que nos calamos.”
Não é um filme fácil, nem confortável. Mas é necessário. Porque ele não nos entrega respostas — ele nos devolve perguntas. E talvez seja exatamente isso que a gente precisa agora.









