Nesse thriller psicológico, o silêncio sempre esconde mais do que revela

Romance de estreia de Danilo Quartiero Filho explora como crimes podem se ocultar na vida cotidiana e nas relações íntimas

Divulgação

O crime perfeito talvez não seja aquele que ninguém descobre, mas o que ninguém sequer suspeita. Essa é a provocação que permeia as páginas do livro Até que a morte se disfarce, romance de estreia do economista e empresário Danilo Quartiero Filho.  

Na obra, Quartiero mergulha em uma zona inquietante da experiência humana: a intimidade dos casais. É nesse território de portas fechadas onde relações de poder, controle e silêncio constroem cenários perfeitos para tragédias que jamais entram nas estatísticas criminais. 

Inspirado por dados alarmantes de mortes registradas sem causa definida — mais de 40 mil apenas em 2023, segundo dados mundiais de organizações ligadas à ONU — o autor constrói um thriller psicológico que questiona a ideia de crime sem suspeitos. 

Partindo do princípio de que nem toda morte é um crime, mas muitas deixam de ser investigadas porque parecem naturais, a narrativa acompanha Naomi, uma executiva altamente competente e diretora de Relações Internacionais na empresa de tecnologia da família. Por trás da aparência de estabilidade, porém, sua vida funciona como uma gaiola invisível, onde decisões, emoções e até dúvidas parecem cuidadosamente administradas por aqueles ao seu redor.  

Seu marido, Sebastian, é admirado socialmente por sua inteligência estratégica e charme impecável. No espaço privado, entretanto, exerce um controle sutil e corrosivo, utilizando afeto, racionalidade e a suposta preocupação com a saúde mental da esposa como instrumentos de poder.  

A relação do casal é simbolizada pelo autor pela metáfora do bonsai, a arte japonesa de cultivar árvores em miniatura. Assim como a planta é podada para manter sua forma, Naomi tem sua vida moldada e contida para preservar uma aparência de beleza e ordem. O sofrimento passivo dá lugar à lucidez quando ela descobre um plano orquestrado pela própria mãe para retirá-la da sucessão da empresa e entregá-la ao controle de Sebastian. 

A dupla traição desperta em Naomi o instinto de sobrevivência e a percepção de que, para continuar viva, subjetiva e fisicamente, talvez precise eliminar seu algoz. Ela passa então a ponderar sobre as fragilidades do corpo humano e sobre quantas mortes podem ser cuidadosamente produzidas para parecer naturais, acidentes inevitáveis ou fatalidades sem explicação. 

Convencida de que a morte não precisa ser violenta para ser intencional, a protagonista visualiza as possibilidades de assassinato dentro da rotina doméstica. Elementos banais, como o ar, a temperatura, o banheiro de casa ou uma adega, passam a carregar uma ameaça invisível e mortal. Eles tornam-se extensões silenciosas da vulnerabilidade humana e o que antes era cotidiano passa a operar como ameaça. 

Danilo Quartiero Filho leva para a ficção sua experiência no ambiente corporativo e o olhar atento sobre as imperfeições das relações humanas, inaugurando um projeto autoral dedicado à complexidade psicológica, à ambiguidade moral e à recusa de respostas fáceis. 

Indicação certeira também para fãs de true crimeAté que a morte se disfarce aposta em um enredo denso, elegante e desconfortável, que confia na inteligência de quem lê. Sem panfletarismo, heróis claros ou vilões caricatos, esse lançamento explora zonas cinzentas da mente humana, onde razão, medo, desejo de controle e autoengano coexistem. 

Ficha técnica 

Título: Até que a morte se disfarce – O silêncio sempre esconde mais do que revela 
Autoria: Danilo Quartiero Filho 
Editora: Independente 
ISBN: 978-6589867616 
Páginas: 291 
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Sobre o autor 

Danilo Quartiero Filho é economista, empresário e pai, com trajetória marcada por decisões que equilibram razão e intuição, a mesma dualidade que atravessa suas histórias. A paixão por literatura, cinema e jogos que desafiam o intelecto e nunca a sorte molda seu olhar sobre os enigmas da mente e das relações humanas. De suas vivências no ambiente corporativo e das imperfeições do amor, extrai personagens que oscilam entre o controle e o colapso. “Até que a morte se disfarce” é seu primeiro romance publicado. 

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