
Nação Comprimido (2024), dirigido por Bruno Tadeu, é um curta que vai além de contar uma história — ele mexe com a gente, emociona e faz pensar. Em pouco mais de 20 minutos, acompanhamos Dante, um ativista gay já idoso (60+), que decide tirar do papel um sonho antigo: criar o primeiro lar para idosos LGBTQIAPN+ do Brasil.
O ritmo do curta chama atenção. Ele não tenta resolver tudo rápido, nem suavizar os conflitos. Elias Andreato entrega uma atuação que mistura cansaço e persistência de um jeito muito verdadeiro. A relação com Francisca, vivida por Teuda Bara, traz uma mistura de afeto e tensão que dá ainda mais peso à história. Ela questiona se ainda vale a pena lutar, e é esse confronto, entre desistir ou seguir em frente, que prende o espectador.
Visualmente, o curta é simples, mas cheio de intenção. Os cenários são fechados, íntimos, o que reforça a sensação de isolamento — tanto físico quanto emocional. As cores são sóbrias, a fotografia é discreta, e tudo isso cria um clima melancólico sem exagero. Os enquadramentos são delicados, focam nos gestos e olhares, como se o filme quisesse ressaltar, em diversas oportunidades, o que não é dito.
Bruno Tadeu acerta ao misturar crítica social com uma história pessoal. Ele não tenta agradar todo mundo. “Nação Comprimido” não fala de grandes acontecimentos, mas de pequenas resistências. E talvez seja aí que mora sua potência: na coragem de continuar, mesmo quando tudo parece estar acabando. É um filme sobre memória, cuidado e legado — contado com uma sinceridade que toca de verdade quem o assiste, ainda que seu final não seja o “esperado”.
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