
Mother’s Baby (2025), longa-metragem de drama e suspense psicológico, coprodução Alemanha, Suíça e Áustria, distribuído pela Autoral Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de março de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 108 minutos de duração.
Não é fácil ser pai ou mãe — e “Mother’s Baby” faz questão de repetir isso como se estivesse revelando um segredo milenar que ninguém nunca percebeu. “Cuidar de alguém que depende totalmente de você é desconfortável e incompreendido”, diz o filme, como se qualquer pessoa que já segurou um bebê por cinco minutos não tivesse chegado à mesma conclusão. Mas a grande pergunta é: quem, exatamente, está disposto a ajudar? E, principalmente, como a sociedade espera que você sorria, agradeça e ainda poste foto feliz no Instagram enquanto sua sanidade está implodindo?
Julia, interpretada pela excelente Marie Lauenberger, sabe tudo sobre isso. Ela é o centro emocional — e emocionalmente destruído — do novo filme da diretora Johanna Moder.
A maestrina Julia sempre quis um filho com o marido, Georg (Hans Low). Aí entra o Dr. Vilfort (Claes Bang), aquele médico particular vienense que parece ter sido criado em laboratório para transmitir confiança e arrogância ao mesmo tempo. Ele inventa um método inovador, Julia engravida, tudo parece perfeito… até o parto virar um pesadelo digno de filme de terror. O bebê é levado para a UTI neonatal, ninguém explica nada, e quando finalmente devolvem a criança, Julia olha para ele e pensa: “Esse não é meu filho”. E, claro, ninguém acredita nela — porque mãe recém-parida só pode estar “sensível”, não é mesmo?
A diretora mergulha de cabeça na depressão pós-parto, um tema que muita gente ainda trata como frescura. Julia se sente estranha no próprio corpo, estranha com o bebê, estranha com o mundo. E o bebê, aliás, é tão calmo que chega a ser assustador. Parece um boneco de vitrine que só chora se você apertar um botão escondido. A casa vira um labirinto claustrofóbico, o marido chega em casa e pula direto para o bebê como se Julia fosse um vaso decorativo, e todo mundo ao redor parece radiante com a maternidade — menos a própria mãe. A sensação de alienação cresce tanto que o espectador começa a duvidar da própria realidade junto com ela.
Julia vaga pela cidade como se estivesse presa num pesadelo, convencida de que seu “verdadeiro” bebê nunca tivesse sido levado a UTI do hospital. E Moder, sem medo de exagerar, transforma o filme em algo que flerta descaradamente com “O Bebê de Rosemary” (1968). Só que, em vez de cultistas satânicos, temos… um axolote. Sim, um axolote. Porque se é para enlouquecer, que seja por peixes.
Às vezes o exagero funciona, às vezes parece que o filme está tentando demais. Mas é inegável que a diretora teve coragem — e isso já coloca “Mother’s Baby” acima de muitos dramas mornos sobre maternidade. Mesmo com seus excessos, o filme é importante. Ele cutuca um tema que muita gente prefere ignorar, dá voz a um sofrimento real e faz isso com uma estética que mistura drama, suspense psicológico e um toque de delírio. É desconfortável, é estranho, é exagerado — e justamente por isso funciona. E no fim, a pergunta permanece: quem acreditaria nela. Depois desse filme, talvez mais gente do que antes.















