Mother Vera (por Peter P. Douglas)

Madre Vera (Mother Vera, 2024), longa-metragem documental do Reino Unido, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), com classificação indicativa 14 anos e 95 minutos de duração.

Documentário, dirigido por Cécile Embleton e Alys Tomlinson, onde acompanhamos Vera, antes Olga, que vive há duas décadas como monja ortodoxa em uma região isolada de Belarus.

O filme mostra como essa escolha veio depois de um período difícil, marcado por dependência química e pela prisão do namorado. A rotina do convento, com seus ritos e tarefas, parece oferecer uma estrutura que ajuda Vera a lidar com o passado.

A fotografia em preto e branco reforça a sensação de tempo suspenso. Aos poucos, o filme muda para a cor, revelando detalhes que antes estavam escondidos. Vera fala com franqueza sobre o uso de heroína, sobre o que buscava e o que perdeu. Há momentos em que ela interage com animais e com homens que também enfrentam dificuldades, como ex-detentos e dependentes. Essas cenas mostram que o convento não é apenas um lugar de retiro, mas também de acolhimento.

O filme evita explicações e não tenta convencer o espectador de nada. Ele mostra o que acontece ali, com tempo e atenção. Há uma cena marcante em que um padre conversa com um grupo de homens sobre como lidar com alguém que sofreu abuso sexual (no caso, o “abatido”). É um momento tenso, que revela conflitos internos e externos. A fé, nesse contexto, aparece como uma escolha prática, uma forma de seguir em frente.

“Madre Vera” não se preocupa nem um pouco em ser ou parecer um documentário tradicional. Ele se aproxima mais de um registro pessoal, feito com cuidado e paciência. Vera não é retratada como símbolo ou exemplo. Ela é mostrada como alguém que tenta viver com o que tem, dia após dia.

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