
Milonga (2023), longa-metragem dramático, coprodução Argentina e Uruguai, distribuído pela Kaja Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 18 de dezembro de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 82 minutos de duração.
“Milonga”, dirigido por Laura González, parte de uma história centrada em Rosa, uma mulher que tenta reorganizar a própria vida após a morte do marido. Ainda presa às regras impostas por ele, mesmo meses depois de sua morte, tenta lidar com o afastamento do filho e com marcas que permanecem em sua rotina. É nesse momento que o tango reaparece como algo capaz de reacender um desejo de mudança, especialmente quando ela conhece Juan, um homem que vive essa dança com intensidade e que acaba abrindo espaço para que Rosa enxergue novas possibilidades.
Laura González, que também assina o roteiro, já havia trabalhado em produções anteriores ligadas ao cinema uruguaio e argentino, embora “Milonga” seja o título que mais tem circulado internacionalmente. A diretora mantém aqui seu interesse por personagens que enfrentam situações difíceis e buscam algum tipo de recomeço, algo que também aparece em trabalhos anteriores dela como roteirista e realizadora, ainda que em menor escala.
O elenco reúne nomes experientes. Paulina García interpreta Rosa, trazendo uma figura marcada por perdas e por uma rotina que parece ter parado no tempo. César Troncoso vive Juan, o homem que reacende nela o contato com o tango e com uma vida que parecia distante. Clara Alonso interpreta Alejandra, enquanto Jean Pierre Noher surge como Rómulo, e Rafael Beltrán como Sergio. Paola Venditto aparece como Estela, e Laila Reyes interpreta Margarita. Cada um deles ocupa um espaço claro dentro da história, contribuindo para que Rosa se depare com situações que a obrigam a encarar o que vinha evitando.
O filme trabalha com um ritmo que favorece a transformação gradual da protagonista. A relação dela com o tango funciona como um ponto de virada, mas não como algo abrupto, sendo mais um reencontro com algo que estava adormecido. A direção de González se concentra nas interações entre os personagens e na forma como Rosa tenta se libertar de um passado que ainda pesa sobre ela. O encontro com Juan não surge como solução mágica, e sim como um estímulo para que ela finalmente enfrente o que vinha adiando.
O longa tem um cuidado evidente com a construção dos personagens e com o modo como cada um deles influencia o percurso de Rosa. A dança aparece como expressão de desejo, memória e transformação, mas sempre integrada ao cotidiano da protagonista. O filme se mantém fiel ao drama que propõe. A força da obra está na maneira como acompanha essa mulher que tenta recuperar o próprio espaço no mundo, depois de anos vivendo sob regras que não eram suas.
Em resumo, “Milonga” acaba sendo um drama sólido, sustentado por boas atuações e por uma direção que sabe onde quer chegar. É um filme que trata de recomeços, de encontros inesperados e da dificuldade de romper com padrões que se arrastam por anos. Rosa é uma personagem que permanece na memória justamente por esse percurso, e Laura González demonstra domínio ao conduzir essa jornada com cuidado e atenção aos detalhes.















