
Me Ame Com Ternura (Love Me Tender, 2025), longa-metragem dramático, coprodução França e Luxemburgo, distribuído pela Imovision, com classificação indicativa 12 anos e 133 minutos de duração, dirigido e roteirizado por Anna Cazenave Cambet.
Mergulho sem escudo na experiência de uma mulher que vê sua vida virar do avesso após uma decisão pessoal. É mostrado o impacto dessa escolha em sua relação com o filho e com o ex-marido, e como isso atinge cada aspecto de sua rotina.
Clémence, vivida por Vicky Krieps, é o centro de tudo. Ela não é apresentada como heroína nem como vilã. É alguém que toma uma decisão e lida com as consequências, algumas esperadas, outras completamente fora de controle. O ex-marido, interpretado por Antoine Reinartz, transforma a convivência em uma disputa, e o filho, no meio disso, vira território de guerra.
O roteiro não se preocupa em justificar atitudes, apenas mostra como elas se desenrolam. Há momentos em que Clémence parece perdida, outros em que tenta se reencontrar, mas o tempo todo há uma sensação de que ela está tentando manter algo que escapa pelas mãos.
A relação dela com outras mulheres surge como uma tentativa de reconstrução, mas também como uma forma de lidar com a ausência do filho. Não há romantização nem dramatização excessiva. São encontros que mostram uma busca por algo que talvez nem ela saiba definir. O filme alterna entre esses momentos e os embates legais, que são mostrados com uma crueza que incomoda pela familiaridade — quem já viu ou viveu disputas judiciais sabe o quanto elas podem ser desgastantes e injustas.
O garoto, interpretado por Viggo Ferreira-Redier, tem uma cena que fica na memória: ele explode, não por raiva, mas por não entender por que está sendo usado como peça de um jogo que não pediu para jogar.
Há uma escolha clara de seguir Clémence de perto e ouvir seus pensamentos, quase como se estivéssemos ao lado dela, vendo tudo acontecer. Isso cria uma sensação de proximidade com a personagem.
O tempo do filme é longo, e em alguns momentos isso pesa. Há cenas que parecem repetir o que já foi mostrado, mas talvez essa repetição seja parte do que ele quer mostrar: a exaustão, o desgaste, a espera. Não há viradas espetaculares nem grandes revelações. O que há é uma mulher tentando continuar.
“Me Ame Com Ternura” não entrega conforto, mas também não busca choque. É uma história que poderia ser de qualquer pessoa, contada com atenção aos detalhes, ainda que de forma longa e passiva.















