
Make a Girl (2024), longa-metragem japonês de animação, distribuído pela Sato Company, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 13 de novembro de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 92 minutos de duração. Dirigido pelo aclamado animador independente Gensho Yasuda, a obra parte de uma proposta curiosa e termina com um gosto de potencial não realizado.
A história gira em torno de Akira, um jovem cientista que decide criar uma namorada artificial chamada Zero. A referência ao mito de Pigmalião é clara, mas o filme não se contenta em apenas repetir fórmulas antigas. Ele tenta dar um passo além, embora nem sempre consiga sustentar o que propõe. Akira não desperta simpatia. Suas motivações são rasas e seu comportamento não ajuda a criar qualquer tipo de conexão. Mesmo nos momentos em que sofre, o que se vê é alguém preso em sua própria vaidade. Isso afeta o envolvimento com a trama, já que tudo gira em torno dele.
Zero, por sua vez, tem uma presença que poderia ser mais explorada. Há momentos em que parece surgir uma consciência, uma dúvida sobre o que significa amar ou ser amada, mas isso nunca é levado adiante. Ela acaba funcionando mais como reflexo das inseguranças de Akira do que como personagem com trajetória própria. O mundo apresentado tem espaço para misturar gêneros, indo da comédia romântica à ficção científica, mas essas possibilidades ficam apenas sugeridas. A ambientação tecnológica, que poderia ser um dos pontos altos, aparece sem aprofundamento. Há robôs, há humanos, há interações, mas não se entende bem como tudo funciona. Isso tira parte da força do cenário.
O filme, fruto de financiamento coletivo, é baseado em um curta anterior, Make Love, e muitas cenas são recriadas com fidelidade. A técnica de animação em 3DCG é bem desenvolvida, com momentos que chamam atenção pelo cuidado com os detalhes. Ainda assim, há uma certa distância entre o que se vê e o que se sente. O realismo da modelagem às vezes entra em conflito com o tom mais delicado da história. Os personagens secundários não têm função além de preencher espaços. Suas interações não acrescentam muito e acabam reforçando a sensação de que tudo gira em torno de Akira, sem que isso seja realmente interessante.
Há uma tentativa de levantar questões sobre amor, solidão e propósito, mas elas ficam soltas. O roteiro não se aprofunda e deixa muitas coisas no ar. A origem de Zero, por exemplo, é pouco clara. Em alguns momentos ela age como humana, em outros como máquina, e isso não é resolvido. O final tenta trazer um impacto, mas sem que o caminho até ali tenha sido construído com consistência. Para quem busca uma experiência mais voltada à técnica da animação, há pontos que chamam atenção. Para quem espera uma história que mergulhe nas implicações da criação artificial de afetos, o filme deixa a desejar.















