
Lumière – A Aventura Continua! (Lumière! L’aventure Continue, 2024), longa-metragem documental francês, distribuído pela Imovision, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 11 de dezembro de 2025, com classificação indicativa 10 anos e 105 minutos de duração, sendo uma sequencia de “Lumière! A Aventura Começca (Lumière ! L’aventure Commence, 2016).
Auguste e Louis Lumière são considerados os pais do “cinematógrafo”, termo cunhado por Léon Bouly que significa “escrever em movimento”. Os irmãos franceses de Lyon adotaram essa palavra para nomear sua invenção mecânica e os resultados que ela produzia, inaugurando uma nova forma de ver o mundo e lançando as bases para toda a história do cinema. A genialidade técnica e comercial dos Lumière, aliada ao seu olhar estético refinado, os torna figuras fascinantes — e é justamente essa combinação que faz de “Lumière – A Aventura Continua” uma viagem arrebatadora ao passado, iluminando nossa paixão contínua pela arte cinematográfica.
Thierry Frémaux (diretor do Festival de Cannes) parte de uma espécie de profecia escrita em 1895, quando um crítico sugeriu que o cinema tornaria a morte menos absoluta, e constrói seu projeto em torno dessa noção de permanência. O público é conduzido por mais de cem curtas-metragens, cada um com cerca de 50 segundos, verdadeiras janelas para outra época e para diferentes modos de percepção.
O impacto está em perceber que, entre 1895 e 1905, os Lumière já experimentavam com ficção, documentário, comédia e drama, condensando em poucos segundos a diversidade que ainda hoje define o cinema. Há rigor na composição dos enquadramentos, no uso da profundidade de campo e na forma como os espaços são explorados. Mesmo sem plena consciência da revolução que iniciavam, Auguste e Louis tinham clareza de que o cinema precisava dialogar com o público, e por isso buscaram constantemente novos temas e situações.
O resultado é um mergulho que não se limita à nostalgia. Há clareza em mostrar como o passado ainda conversa com o presente e como cada fragmento contém uma promessa de futuro. O filme dura pouco menos de duas horas, mas condensa em sua seleção a sensação de que toda a história do cinema está ali, em estado nascente.
Frémaux sugere ter escolhido apenas o melhor, mas deixa no ar a curiosidade sobre os fracassos e experimentos malsucedidos da época — lembranças de que eram homens, e não semideuses, operando aquelas câmeras. Talvez um dia, esses registros apareçam como material suplementar. Por ora, o que temos é uma obra que transforma registros centenários em experiência viva, revelando como os primeiros filmes já continham os fundamentos de tudo que viria depois.















