Lá Fora (por Peter P. Douglas)

A Netflix tem em seu acervo diversos filmes que tentam (ou as vezes não) ser algo mais do que medíocres. Dentre eles, o filme filipino de zumbis “Lá Fora” (Outside, 2024), escrito e dirigido por Carlo Ledesma. Sim, mais um filme de zumbis — porque claramente o mundo precisava de mais um genérico.

A trama acompanha Francis (Sid Lucero), sua esposa Iris (Anne Raja) e os filhos Joshua (Marco Masa) e Lucas (Aiden Tyler Patdu), todos lutando bravamente para não virar petisco de morto-vivo. Zumbis vagam pela Terra, como sempre, e a família faz o possível para não ser mordida, devorada ou simplesmente incomodada.

Eles acabam voltando para a casa de infância de Francis, uma charmosa fazenda antiga — porque nada diz “refúgio seguro” como um lugar isolado no meio do nada. Iris quer seguir em frente e encontrar outros sobreviventes, enquanto Francis insiste que a fazenda é segura. Spoiler: não é. Além de memórias traumáticas, o isolamento com a família também não ajuda muito. Mas quem precisa de paz quando se tem zumbis e problemas emocionais, não é mesmo?

O grande desafio dos filmes de zumbis hoje é simples: como convencer alguém a assistir quando o seriado “The Walking Dead” já contou todas as histórias possíveis umas dez vezes? “Lá Fora” tenta resolver isso apostando em drama familiar. Funciona? Às vezes. Na maior parte do tempo… não muito.

O filme tenta oferecer algo mais substancial, algo que vá além do clichê dos mortos-vivos, mas a história não é tão forte quanto gostaria de ser. Nem tão envolvente. E, para piorar, o filme passa longos períodos sem fazer absolutamente nada. Ah, e ele tem quase duas horas e meia — porque aparentemente alguém achou que um filme de zumbis precisava do mesmo tempo de um épico.

Quando finalmente acontecem cenas de ação, elas são decentes, mas tão espaçadas que quase dá para cochilar entre uma e outra. O filme também não é particularmente assustador, o que é um detalhe curioso para… você sabe… um filme de zumbis.

Entendo que o foco aqui não seja o terror puro, mas um pouco mais de energia, emoção ou sustos não faria mal. Aliás, faria um bem enorme.

No fim das contas, “Lá Fora” é lento e monótono demais para o próprio bem. Falta ritmo, falta impacto, falta… vida. Só nos 25 minutos finais o filme finalmente acorda e decide fazer algo interessante. Em teoria, um filme de zumbis focado no cotidiano poderia ser ótimo — eu realmente torci para gostar — mas, infelizmente, ele se arrasta e dificilmente vai conquistar o grande público. É difícil não sentir que o resultado ficou aquém.

O elenco é bom, a fotografia é bonita e há alguns momentos que funcionam (especialmente perto do final), mas no geral… não é lá essas coisas. Uma pena.

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