Karatê Kid: Lendas (por Peter P. Douglas)

Karatê Kid: Lendas (Karate Kid – Legends, 2025), longa-metragem estadunidense de aventura e artes marciais, distribuído pela Sony Pictures, estreou, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 08 de maio de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 90 minutos de duração.

O longa tenta encontrar um ponto de equilíbrio entre aquilo que já conquistou fãs ao longo de décadas e a necessidade de apresentar algo novo. O filme traz Jackie Chan e Ralph Macchio juntos pela primeira vez, o que por si só carrega bastante expectativa.

A ideia é passar o bastão para Li Fong, vivido por Ben Wang — um adolescente talentoso no kung fu que se muda com a mãe para Nova York e acaba enfrentando desafios em uma escola elitizada, onde o confronto com um lutador da academia Demolition é praticamente inevitável. A saída que encontra para se impor? Entrar em um torneio interbairros de artes marciais e buscar ajuda com dois mestres de peso: Sr. Han (Jackie Chan) e Daniel LaRusso (Ralph Macchio).

O filme tem pouco mais de 90 minutos, tornando-se o mais curto da franquia. Isso pesa bastante na construção da história: o roteiro passa rápido demais por partes importantes, e os conflitos parecem resolvidos antes de ganharem peso real. Por exemplo, o trauma de Li pela morte do irmão é mencionado em mais de uma cena, mas fica só nisso — não se desenvolve de forma que influencie seu comportamento ou aprofunde a relação com os outros. A rivalidade com Connor, que deveria trazer tensão, também não convence. Faltam camadas. Faltam motivos claros.

As cenas de luta têm bons momentos, mas são irregulares. Quando chega o torneio, o filme praticamente pula todas as lutas até chegar na final. É tudo muito rápido, quase atropelado. Isso prejudica o clímax e tira o efeito da preparação que Li tem ao longo do filme. A trilha sonora funciona como apoio divertido, e a edição é competente, mas nada que se destaque de fato.

Ben Wang é carismático e tem presença. Consegue segurar bem o papel principal, mesmo que o roteiro não dê tanto espaço para seu personagem se desenvolver. O elenco como um todo funciona, mas a história não ajuda a criar vínculos com os personagens.

Em relação às figuras clássicas, Jackie Chan está bem como Sr. Han, mas não há qualquer ligação com seu personagem do remake estrelado por Jaden Smith. É como se aquele filme nunca tivesse existido. Ralph Macchio, por outro lado, faz referência direta ao universo original, embora apareça só na reta final. Mesmo assim, tem um momento especial ligado ao legado do Sr. Miyagi, incluindo uma breve homenagem com uso de efeitos visuais para recriar a imagem de Pat Morita.

Em resumo, “Karatê Kid: Lendas” é mais uma produção que aposta no seguro. Ela entrega aquilo que os fãs conhecem: treinos, lições de honra, um torneio no final. E isso pode ser suficiente para quem só quer reviver a nostalgia sem exigir muito. Mas quem espera algo novo, ou mais intenso emocionalmente, talvez saia achando que faltou ousadia. É um filme leve, rápido, e até simpático — mas que deixa a sensação de que poderia ter sido mais.

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