
Justiça Artificial (Mercy, 2025), longa-metragem estadunidense de ação e suspense, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 22 de janeiro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 100 minutos de duração.
Com sua lógica de tratar todos como culpados até prova em contrário, “Justiça Artificial” inevitavelmente remete ao clássico de Steven Spielberg com Tom Cruise, “Minority Report”. Ainda que não alcance o mesmo patamar, surge como uma produção que desperta curiosidade, mantém o ritmo e levanta discussões relevantes sobre o papel da tecnologia no sistema judicial e no cotidiano das pessoas.
Com Chris Pratt no papel principal e direção de Timur Bekmambetov, a história se passa em uma Los Angeles de 2029, marcada por um cenário em que o elemento humano foi praticamente retirado das forças de segurança e dos tribunais. Nesse contexto, a noção de justiça se torna uma pergunta aberta, quase um desafio lançado ao espectador.
O detetive Chris Raven desperta de uma noite de excessos diretamente na cadeira de réu do chamado Tribunal da Misericórdia, criado após o governo concluir que a criminalidade — sobretudo a violenta — havia ultrapassado qualquer limite tolerável. Nesse novo modelo, a responsabilidade de definir o destino dos acusados recai sobre uma magistrada artificial, a Juíza Maddox (Rebecca Ferguson), programada para agir de forma rígida e baseada exclusivamente em dados. Quando a probabilidade de culpa ultrapassa 92%, a sentença é a execução imediata, após um julgamento de apenas 90 minutos em que o réu tenta provar o contrário.
Raven, já enfrentando turbulências em casa, é acusado de assassinar sua esposa Nicole (Annabelle Wallis) em um surto de raiva. O cálculo de Maddox aponta 97,5% de chance de ele ser o responsável. Mesmo assim, ele não está totalmente sozinho: um grupo de colegas acredita que algo não se encaixa, entre eles sua parceira Jaq Diallo (Kali Reis), que se empenha em ajudá-lo.
Enquanto a equipe tenta remontar os acontecimentos, o processo em si não guarda grandes mistérios — o verdadeiro interesse surge no confronto intelectual entre Raven e Maddox. À medida que analisam cada detalhe do caso, fica claro que o embate vai além da investigação.
O diálogo entre os dois se transforma em uma discussão sobre o funcionamento da justiça, o papel de uma entidade artificial nesse contexto e o que distingue — ou compromete — aqueles que ainda dependem de julgamento humano.
Pratt e Ferguson conduzem a relação entre Maddox e Raven de um jeito que revela aprendizado constante enquanto o detetive revisita cada detalhe do caso. As cenas entre eles funcionam muito bem, com sutilezas que quase passam batido. Os dois se destacam: Ferguson mostra uma mudança gradual conforme Maddox avança em suas conclusões, enquanto Pratt transita de um sujeito perdido no álcool para alguém capaz de raciocinar com precisão.
Bekmambetov guia o público por esse percurso com firmeza. O texto de Marco van Belle tem pontos que qualquer espectador atento percebe de longe, mas o diretor compensa isso com escolhas que mantêm o interesse. O julgamento de 90 minutos se torna especialmente tenso, reforçado pela sensação de confinamento nas conversas diretas entre os protagonistas.
Em resumo, mesmo com imperfeições, “Justiça Artificial” se revela um trabalho esperto, bem interpretado e com ritmo e trama que prendem. É um filme que não merece ser ignorado.















