
Isso Ainda Está de Pé? (Is This Thing On?, 2025), longa-metragem estadunidense de comédia dramática, distribuído pela Searchlight Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 120 minutos de duração.
“Estou me divorciando. Percebi isso quando notei que moro sozinho num apartamento… e minha esposa e meus filhos não moram lá.” Com essa confissão dita como quem comenta o clima, no palco apagado de um clube de comédia em Manhattan, depois de devorar metade de um bolo espacial, o executivo derrotado Alex Novak, vivido por Will Arnett, descobre a única terapia que cabe no bolso de um pai recém-abandonado: transformar a própria ruína em piada. À primeira vista, parece só mais um homem desmoronando em público, mas Alex tem um talento especial para transformar desastre em rotina.
Livremente inspirado no caos pessoal de John Bishop — comediante britânico que enchia arenas enquanto seu casamento desmoronava — o filme troca Liverpool por Manhattan, nos subúrbios de Nova York, como se a crise conjugal ganhasse mais elegância com um CEP americano.
O divórcio costuma ser um terremoto em câmera lenta, e no caso de Alex e Tess (Laura Dern), a situação ganha um grau extra de caos porque há crianças tentando entender por que os pais vivem pisando em ovos. Bradley Cooper, que dirige e assina o roteiro, encontra um jeito de mostrar esse colapso doméstico sem transformar tudo em melodrama barato: há os sorrisos falsos diante dos amigos, as discussões ridículas sobre quem fica com os cachorros e as perguntas das crianças que deixam qualquer adulto sem saída, como “vocês estão brigando de novo?”.
“Chegou a hora de encerrar isso, né?”, Alex diz para Tess antes de abandonar a casa onde viveu por anos e se instalar em um apartamento tão acolhedor quanto uma sala de espera de hospital. Ele anda por aquele espaço como se tivesse sido expulso da própria vida. Tess, por sua vez, tenta reorganizar a cabeça voltando ao vôlei, esporte que um dia definiu quem ela era, agora reduzido a um lembrete de que tudo que já funcionou parece distante demais.
É uma subtrama tratada quase como decoração, já que o roteiro está claramente interessado apenas no ponto de vista de Alex. A câmera vive grudada nele, mergulhando nos porões barulhentos dos clubes de comédia de Nova York, como o Comedy Cellar, onde ele transforma sua vida em material para plateias que só querem rir de alguém mais infeliz do que elas. O público adora a franqueza dele, mesmo quando o conteúdo é duvidoso. Os outros comediantes, impressionados mais pela coragem de se expor do que pelas piadas em si, acabam servindo como uma espécie de antidepressivo improvisado para o protagonista.
O elenco secundário funciona como um amortecedor cômico para evitar que tudo desabe de vez. Bradley Cooper surge em modo “ator sério que jura que não está fazendo graça”, enquanto Andra Day interpreta a parceira de Cooper, claramente cansada de ser a adulta da relação, além de confidente involuntária de Tess. Christine Ebersole e Ciarán Hinds aparecem como os pais que fazem questão de ser gentis, embora deixem claro — sem precisar dizer nada — que preferem Tess em praticamente qualquer cenário.
Em vez de mergulhar num drama conjugal daqueles que deixam o público exausto, “Isso Ainda Está de Pé?” prefere seguir outro caminho: mostrar como encontrar um novo rumo — e um novo grupo de apoio — pode fazer alguém enxergar o que sempre esteve ali, só que encoberto pela rotina. O título funciona como metáfora para o casamento e talvez faça, quem assisti-lo, repensar relacionamentos.















