Iron Lung: Oceano de Sangue (por Peter P. Douglas)

Iron Lung (2026), longa-metragem estadunidense de ficção-científica, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de março de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 125 minutos de duração.

Antes de falar do filme, preciso apresentar o grande arquiteto dessa experiência claustrofóbica: Markiplier. Sim, Mark Fischbach, o youtuber gringo que ficou famoso gritando enquanto jogava jogos de terror, decidiu que era hora de levar seus surtos para a tela grande. Ele se apaixonou pelo game “Iron Lung” (2022), de David Szymanski, e como todo bom milionário com tempo livre, comprou os direitos, escreveu o roteiro, dirigiu, produziu e ainda protagonizou o filme. Basicamente, ele fez tudo, menos servir pipoca na estreia.

Em “Iron Lung” (Pulmão de Ferro, em tradução literal) a câmera só sai do submarino três vezes — e olha lá. No começo, para mostrar as estrelas morrendo e o submersível descendo para o oceano de sangue; no final, para você respirar aliviado; e no meio, quando o protagonista começa a delirar por radiação e falta de oxigênio e vê uma entidade cósmica que pode ser Deus… ou só o cérebro dele pedindo uma pausa.

O filme segue fielmente o pedido do criador do jogo: explicar o mínimo possível. Estamos num universo pós-apocalíptico onde quase toda a humanidade e todas as estrelas foram pro saco. Simon (Markiplier) é um prisioneiro jogado dentro de um submarino enferrujado para navegar por um mar de sangue — literalmente. Seu único contato com o mundo exterior é um rádio e um raio-x que mostra o que está lá fora. Spoiler: ele preferia não saber.

A premissa é promissora, mas o filme explica tão pouco que quem não conhece o jogo ou o youtuber vai assistir tudo com a mesma expressão de quem entrou na sala errada do cinema. Sem dinheiro para CGI, a produção construiu um set físico e colou a câmera na cara de Markiplier. Resultado: você passa 90% do tempo encarando o desespero dele em close-up, como se estivesse preso no submarino junto com ele — só que sem o risco de morrer, infelizmente.

O filme não é para todos. É lento, sufocante e estranho — o que, convenhamos, já o torna mais original do que metade das produções atuais. Não há missão heroica, não há esperança, não há salvação. A humanidade já perdeu. Tudo o que resta é sobreviver… ou tentar.

Os famosos 300 mil litros de sangue falso estão lá, brilhando e escorrendo, mas não fazem muita diferença. Simon é descartável, a missão não tem peso dramático e, como ninguém se apega ao protagonista, não há sofrimento possível. Nem com ele, nem por ele.

Ainda assim, o grande mérito de “Iron Lung” é conseguir funcionar mesmo sem contexto, sem herói, sem esperança e sem orçamento. Markiplier fez um filme inteiro com um submarino, uma câmera colada no rosto e um oceano de sangue. E, de alguma forma, deu certo.

No fim, o destino de Simon se resume a duas opções: ou ele fica sem oxigênio… ou ele fica sem oxigênio. Mas a jornada até lá é tão bizarra que você assiste até o fim só para ver qual das “duas” mortes chega primeiro.

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