
Como Fotografar Um Fantasma (How To Shoot a Ghost, 2025), curta-metragem dramático, coprodução Grécia e Estados Unidos, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), com classificação indicativa 16 anos e 27 minutos de duração.
Trata-se de um curta que parece querer muito dizer algo, mas se perde tentando decidir o que exatamente. Charlie Kaufman volta a trabalhar com Jessie Buckley e Eva H.D., repetindo parcerias que já renderam momentos marcantes em projetos anteriores.
Aqui, ele escolhe Atenas como cenário, com dois personagens recém-falecidos vagando pela cidade: uma fotógrafa e um tradutor. A proposta é clara — refletir sobre memória, morte e talvez até sobre o peso histórico de um lugar como a capital grega. Mas o que se vê é uma colagem de imagens e falas que não se conectam com firmeza.
Há uma tentativa de misturar passado pessoal com contexto político, mas o resultado é disperso. Kaufman parece indeciso entre fazer um retrato íntimo ou uma reflexão mais ampla.
O uso constante de narração em off e diálogos que explicam demais acaba tirando o espaço para que o espectador se envolva por conta própria. Em vez de confiar nas imagens, ele recorre a palavras que tentam guiar o entendimento — e isso enfraquece o impacto.
O filme tem 27 minutos, mas parece querer ocupar o tempo de um longa. Há muitas ideias jogadas, e poucas realmente desenvolvidas. A relação entre os personagens, por exemplo, é sugerida, mas nunca ganha corpo. Eles caminham, falam, lembram, mas não há uma progressão clara. É como se o filme estivesse sempre começando algo que não termina.
Kaufman, conhecido por mergulhar fundo em suas obsessões, aqui parece mais preocupado em manter um estilo do que em comunicar algo com clareza. O resultado é um trabalho que soa como um exercício pessoal, sem grande preocupação com quem está assistindo.
Ainda assim, há momentos que chamam atenção. A escolha de Jessie Buckley é acertada — ela tem uma presença que segura mesmo quando o texto não ajuda. E a cidade de Atenas, com sua mistura de ruínas e cotidiano, oferece um ambiente que poderia render muito mais se fosse melhor explorado.
No fim, “Como Fotografar Um Fantasma” parece mais um rascunho do que uma obra finalizada. Há uma busca por profundidade, mas o caminho escolhido não favorece essa intenção. Kaufman já mostrou que sabe lidar com temas difíceis, mas aqui, o formato curto e a falta de foco tornam tudo mais raso do que se espera dele.













