
Hora do Recreio (2025), longa-metragem nacional documental, distribuído pela Imovision, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de março de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 83 minutos de duração.
A carreira de Lucia Murat vive passeando entre ficção e documentário, mas “Hora do Recreio” cai mais para o lado documental — só que com aquela brecha estratégica para a ficção, porque ela resolveu registrar também um grupo de estudantes adaptando “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto. Sim, é documentário, mas com um pezinho no teatro escolar, porque por que não?
O filme tenta mostrar como anda a educação no ensino fundamental e médio das escolas públicas do Rio de Janeiro. Para isso, divide tudo em quatro segmentos, cada um filmado em uma escola diferente, como se fosse um tour educacional guiado pela própria diretora.
Primeiro segmento: o que busca chocar mais o espectador (mesmo não conseguindo). Adolescentes do ensino médio dão depoimentos sobre violência de gênero, racismo e tudo aquilo que a gente finge que não acontece, mas acontece todo dia em algum lugar. No final, a diretora rompe a quarta parede e aparece na tela conversando com os alunos.
Segundo segmento: aqui o filme resolve escancarar a realidade nua, crua e completamente caótica da educação pública. A equipe marca uma filmagem numa escola do Complexo da Penha… e ninguém aparece. Não por falta de vontade, mas porque um tiroteio obrigou tudo a fechar. O capítulo vira um making of de “tentamos, mas o Rio de Janeiro não deixou”. Para completar, ainda tem um grupo de dança interpretando a violência, porque se a vida não dá trégua, a arte tenta dar conta.
Terceiro segmento: agora são as crianças do ensino fundamental que falam sobre o racismo, porém de forma menos pejorativa, uma vez que discutem o assunto visando valorizar a cultura afrodescendente. Diferentemente do primeiro segmento, as crianças não ficam limitadas a sala de aula durante seus depoimentos e participam de uma excursão pelo centro do Rio, para entenderem melhor o problema. É como se a diretora dissesse: “olha, as vezes precisamos observar na prática os acontecimentos ao invés de apenas ouvir a teoria”.
Quarto segmento: Aqui, Murat mistura os bastidores da adaptação de “Clara dos Anjos” com a encenação da peça. Usando como base o livro de 1948, os adolescentes discutem que certas coisas mudaram… e outras continuam empacadas no mesmo lugar.
“Hora do Recreio” já não é um documentário comercialmente tragável pelo púbico mainstream e devido à sua estrutura picotada e desbalanceada, até seu nicho pode se incomodar. Pelo menos, o filme começa mostrando tudo o que está errado — e olha, tem material — para depois caminhar em direção a algo mais otimista, acreditando que dá pra melhorar alguma coisa antes que tudo desabe de vez. É evidente a sensação de que apesar da educação pública ser um campo de batalha, também pode ser um lugar onde ainda existe gente tentando, criando, resistindo e, de vez em quando, até sonhando.
















