
Hanami (2024), longa-metragem dramático, coprodução Cabo Verde, Portugal e Suíça, distribuído pela Imovision, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa Livre e 110 minutos de duração.
Dirigido por Denise Fernandes e situado na ilha do Fogo, em Cabo Verde, “Hanami” apresenta um retrato delicado e cativante dessa paisagem vulcânica, entrelaçado a uma história sobre saudade, raízes e pertencimento. O ponto de partida é Nia (Alice da Luz), que decide deixar a ilha em busca de uma vida melhor. Mas o filme, na verdade, é menos sobre a partida dela e mais sobre o que fica: sua filha recém-nascida, Nana, que se torna o centro da narrativa.
No breve prólogo em que ouvimos a voz de Nia, vemos um ritual em que Nana é passada de braço em braço por uma fila de mulheres. Esse gesto coletivo deixa claro que, embora a mãe parta, a criança será criada em uma rede de afeto, cuidado e força feminina. E não são só as mulheres que a acolhem: a própria ilha parece abraçar Nana. A paisagem surge de várias formas ao longo do filme, não apenas nos cenários – das terras áridas às praias de areia negra – mas também no trabalho de som, que, junto da história e das imagens, cria uma experiência imersiva. Como quem encosta uma concha no ouvido, o público escuta o mar quase o tempo todo, como um lembrete constante do que chega e do que vai embora, enquanto acompanha a história se desenrolar.
A trajetória de Nana é mostrada em duas fases: na infância (vivida por Dalyma Mendes) e na adolescência (Sanaya Andrade). Em ambas, ela é retratada como alguém que observa muito e fala pouco, mas se conecta profundamente com o que a cerca – pessoas, bichos, paisagem.
Nana é uma menina sensível, que em diferentes momentos adoece com febre alta. Cada crise traz um tipo de cura. Quando criança, ela é enviada para o interior da ilha para se tratar com um curandeiro. Essa viagem funciona também como passagem para outro registro: aproximar-se do vulcão é como entrar em um território que desperta a imaginação, onde o filme se permite flertar com o mágico e o surreal. Quando voltamos à casa de Nana e, depois, avançamos para sua adolescência, fica claro que a linha do tempo é linear, mas o filme transita com fluidez entre estilos e fases da vida.
Na adolescência, Nana precisa lidar com retornos – o mais importante deles, o da mãe. Nos primeiros encontros, o uso de reflexos em espelhos e vidros sublinha a distância entre as duas, mesmo quando estão no mesmo espaço. À medida que a relação se fortalece, esses reflexos somem, como se a barreira simbólica entre mãe e filha fosse se desfazendo. Nesse momento em que quem foi volta e quem ficou precisa se reposicionar, a pergunta que ronda Nana ganha força: devo ficar ou partir? O filme, porém, aponta para algo mais sutil – que ir embora não significa deixar de amar, e permanecer não significa abandonar os próprios sonhos.















