
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet, 2025), longa-metragem estadunidense dramático, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 15 de janeiro de 2026, com classificação indicativa 10 anos e 125 minutos de duração.
A roteirista e diretora Chloé Zhao (adaptando o romance de Maggie O’Farrell de 2020) traz seu talento e sensibilidade para uma história que conta como surgiu a inspiração da famosa peça “Hamlet” de William Shakespeare (em um texto inicial somos informados que o nome da peça e do filho do autor são nomes intercambiáveis, o que é ainda mais esclarecido conforme os eventos se desenrolam).
O filme é muito mais profundo do que qualquer sinopse que eu poderia escrever aqui. A depressão que permeia Agnes Shakespeare (Jessie Buckley) e seu marido William (Paul Mescal) após uma tragédia insondável — e a forma como eles lidam com isso — é muito complexa para ser traduzida em meras palavras.
Além de mostrar onde surgiu a inspiração para escrever a peça, o longa também serve como uma introdução ao próprio William Shakespeare, entrelaçando organicamente vários detalhes sobre sua vida e seu namoro com Agnes, a família que eles formam e a vida em geral que evoca detalhes marcantes de suas obras, como Romeu e Julieta, Macbet, entre outras. É importante observar que, o filme nunca busca chamar a atenção para si mesmo de uma maneira que pareça um mero agrado aos fãs, mas sim apresenta um olhar natural sobre uma tragédia que, indiscutivelmente, moldou uma das maiores obras literárias de todos os tempos.
Não deveria ser surpresa que William Shakespeare, que já viajava frequentemente do interior da Inglaterra para Londres para dar continuidade ao seu trabalho teatral, tenha intensificado ainda mais sua produção como resposta a tal tragédia. Como um verdadeiro escritor, trabalhar em Hamlet envolveu praticamente fugir de sua Agnes e de sua família, um mecanismo de defesa implacável que se torna o cerne de um terceiro ato belíssimo e devastador, que acolhe todas as lágrimas que os espectadores estavam reprimindo (se é que já não estavam chorando) e lhes oferece uma válvula de escape.
A estética utilizada merece ser elogiada. O trabalho de Zhao com o diretor de fotografia Łukasz Żal, transforma cada cena em algo próximo de uma pintura, com enquadramentos e movimentos que intensificam a experiência. As atuações do elenco são excelentes e vão além de Jessie Buckley e Paul Mescal, com dois dos filhos de Shakespeare também comovendo o público, Jacobi Jupe (o próprio Hamnet) e Olivia Lynes (Judith).
Assistindo ao longa, uma coisa se torna clara, se Shakespeare é possivelmente mais famoso por escrever histórias sobre romances proibidos, sua vida familiar também foi fadada ao fracasso, no sentido de que a felicidade plena nunca lhe foi destinada.
Em resumo, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” é um filme que se constrói sobre sentimentos, combinando performances marcantes, direção cuidadosa e uma abordagem que conecta a dor pessoal da família Shakespeare à imortalidade da obra do escritor. É uma produção que emociona sem precisar que o espectador seja especialista em Shakespeare, já que a força da história e das atuações fala por si.















