
Em 1973, George Roy Hill dirigiu um filme que se tornou referência quando o assunto é trapaça elegante e narrativa bem amarrada. The Sting, conhecido no Brasil como “Golpe de Mestre”, se passa em Chicago no ano de 1936 e acompanha dois golpistas, Johnny Hooker (Robert Redford) e Henry Gondorff (Paul Newman), que decidem aplicar um golpe elaborado em Doyle Lonnegan (Robert Shaw), um poderoso chefão do crime. A motivação é pessoal: o parceiro de Hooker foi assassinado por ordem de Lonnegan, e o plano é mais do que uma vingança — é uma aula de como enganar quem se acha inatingível.
O roteiro de David S. Ward é construído como um jogo de cartas: cada cena revela uma nova jogada, e o espectador é convidado a tentar acompanhar sem saber quem está blefando. A estrutura é dividida em capítulos com títulos como “O Gancho” e “A Isca”, o que dá ao filme um ritmo quase literário.
A trilha sonora, baseada nas composições de Scott Joplin e adaptada por Marvin Hamlisch, é outro ponto alto. O uso de “The Entertainer” virou marca registrada e ajuda a criar o clima de época sem parecer artificial.
O elenco é afiado. Redford e Newman têm uma química que já havia sido testada em Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969), e aqui ela é ainda mais refinada. Robert Shaw, como o vilão, entrega uma atuação seca e ameaçadora, sem exageros. Os coadjuvantes também têm espaço: Charles Durning como o policial corrupto, Eileen Brennan como a dona do bordel, e Ray Walston como o mestre das apostas, todos contribuem para a sensação de que cada personagem tem um papel essencial no tabuleiro.
Na época de seu lançamento, o filme foi um sucesso estrondoso. Com um orçamento de cerca de 5,5 milhões de dólares, arrecadou mais de 150 milhões só nos Estados Unidos. No Oscar de 1974, levou sete estatuetas: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Montagem, Direção de Arte, Figurino e Trilha Sonora Adaptada. Redford também foi indicado como Melhor Ator, embora não tenha vencido.
Uma curiosidade é que o filme se baseia em histórias reais de golpistas dos anos 1920 e 1930, especialmente os irmãos Gondorff, que inspiraram os personagens principais. O livro “The Big Con”, de David Maurer, serviu como base para o roteiro. E apesar de ter ganhado uma continuação em 1983, com Golpe de Mestre 2 (The Sting II), o original permanece intocado como uma obra que soube unir charme, inteligência e precisão narrativa.
Assistir a The Sting é como entrar em um jogo onde todos estão tentando enganar uns aos outros, e o público é parte da brincadeira. Mesmo depois de décadas, ele continua sendo um exemplo de como contar uma história com estilo e engenho.













