
Goat (Him 2025), longa-metragem estadunidense de terror e suspense psicológico, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 02 de outubro de 2025, com classificação indicativa 18 anos e 96 minutos de duração, dirigido por Justin Tipping e produzido por Jordan Peele.
Tyriq Withers interpreta Cameron Cade, que foi preparado desde jovem por seu pai, um fanático por futebol americano, para ser o próximo Maior de Todos os Tempos (GOAT, na sigla em inglês). Isiah White (Marlon Wayans) é o herói de infância de Cameron que moldou toda a sua vida de acordo com o exemplo de seu ídolo, buscando se tornar o próximo grande quarterback de um time fictício chamado Saviors. Tudo parecia perfeito para Cameron, porém enquanto se preparava para o draft da NFL, um ataque repentino com um pé de cabra o deixa hospitalizado com uma concussão grave e grampos na cabeça. Isso leva a imprensa, os técnicos, os torcedores e o próprio Cameron a questionarem se sua carreira no futebol americano acabou antes mesmo de começar. Mas há boas notícias: o agente de Cameron, Tom (Tim Heidecker), convenceu o próprio Isiah White a convidá-lo para um campo de treinamento de uma semana para avaliar seu potencial como o próximo GOAT. Ao chegar às instalações de Isaiah, Cameron percebe que, para ser o melhor, é preciso muito trabalho duro e sacrifícios. Sacrifícios literais. Literalmente.
Devo dizer que algumas escolhas técnicas do diretor foram sábias. O ritmo acelerado da ascensão de Cameron ao estrelato é bem comunicado, ocorrendo através de uma série de cortes rápidos, edições frenéticas e transições quase estroboscópicas. A trilha sonora agressiva, a exibição de sangue e raios-X aqui e ali, mostrando os danos que Cameron está acumulando em seu corpo, e talvez até mesmo insinuando que ele não está totalmente lúcido para alcançar o sucesso, é uma ótima maneira de passar rapidamente por cenas clichês e chegar ao conteúdo original.
Mas a história também precisa fazer sentido. Em “Goat”, parece que houve muita escrita e reescrita, além de ajustes constantes na trama durante a produção. Há muitas pontas soltas, apenas insinuadas e nunca abordadas. Somos informados de que na última vez que Cameron conversou com o pai, foi para lhe dizer que não queria mais jogar futebol americano. Essa é uma informação crucial sobre Cameron e sua motivação, contudo é apresentada quase como uma reflexão tardia. O irmão de Cameron parece ser uma má influência e definitivamente há muita inveja envolvida. A namorada de Cameron é protetora com ele, principalmente quando se trata de tentações envolvendo mulheres. No entanto, todos esses pontos nunca são mencionados depois de serem apresentados no início. Não estou dizendo que eles teriam melhorado a história, mas por que desperdiçar espaço e tempo com essas coisas no começo se elas não serão relevantes para o resto do filme?
Todo o elenco dá conta do recado, mas fica claro que este é um filme de Marlon Wayans. Ele rouba a cena em todos os momentos em que aparece. O filme faz um ótimo trabalho ao destacar a complexidade do personagem. Isaih quer treinar Cameron. Ele diz que acredita nele e se importa com ele. No entanto, há uma amargura subjacente, sabendo que esse novo cara está ali basicamente para substituí-lo. Wayans faz um ótimo trabalho ao mostrar que está sendo brutal com Cameron porque quer o melhor dele. Mas, na realidade, ele quer quebrá-lo, e isso torna o personagem muito interessante.
O figurino e a estética empregada pelo diretor nas máscaras dos mascotes, passando pelos diversos tons atmosféricos dos cômodos de Isaih, foram bem utilizados, com símbolos e formas por toda parte em “Goat”. Há muitas metáforas que funcionam, como os grampos de metal na cabeça de Cameron que lembram uma bola de futebol, mostrando que o futebol é o que está constantemente em sua mente. Mas também há algumas cenas forçadas que eu poderia ter dispensado, como a imagem da Última Ceia que surgiu do nada.
Então chegamos ao final, onde todos os pontos da trama supostamente se encaixam e, novamente, parece um filme que terminou de um jeito e depois foi alterado pelos produtores para conquistar o público. Embora o filme realmente queira te enganar, “Goat” não é um filme de Jordan Peele (ainda que este o esteja produzindo).
Para não dizerem que o paragráfo acima possa parecer uma inverdade, basta lembrar que, durante um momento de tranquilidade no rigoroso treinamento de Cameron, ele conta a Isiah o quanto sua família é importante. Listando suas prioridades na seguinte ordem: Família, Deus, Futebol. Isiah discorda e lista a sua como: Futebol, Família, Deus. Essa é a principal diferença entre Cameron e Isiah e, basicamente, o plano para todo o filme. Mas não é assim que acontece. Sem dar muitos spoilers, Cameron se vê diante de uma escolha e, embora não priorize o futebol, coloca sua família em grave perigo com suas ações finais.
Novamente, o filme opta por um final que agrade o público, onde o protagonista toma uma decisão moralmente correta, em vez da decisão para a qual todo o filme foi construído. A decisão que está nos pôsteres. E a decisão que teria tornado este um filme verdadeiramente impactante, que diria algo sobre o sacrifício que esses jogadores precisam fazer todos os dias. A decisão que refletiria as conspirações das sociedades secretas de celebridades que tanto nos fascinam. Em vez disso, temos um final descartável que você esquecerá assim que os créditos terminarem.














