
Com um título como Garras Vorazes (Slotherhouse, 2023), é impossível fingir surpresa sobre o tipo de filme que está por vir. Os realizadores não escondem nada: eles sabem exatamente o que estão fazendo e abraçam essa proposta sem pudor. É justamente essa consciência divertida e escancarada que faz a comédia de terror funcionar muito melhor do que se esperaria.
Sob a direção de Matthew Goodhue e roteiro de Bradley Fowler, o longa desperta lembranças da época das locadoras, quando a seção de terror era um universo próprio, repleto de fitas com capas chamativas e produções baratas que prometiam caos e diversão. Há algo de irresistível nesse tipo de filme, especialmente para quem cresceu consumindo esse tipo de bagunça cinematográfica.
A produção mistura referências de filmes de horror e comédias adolescentes, sempre com um humor ácido que dá o tom. Parte do charme está no fato de que o elenco leva tudo a sério, o que só torna a premissa — uma preguiça assassina atacando universitárias — ainda mais absurda e engraçada. A abertura já deixa claro o espírito da coisa: uma preguiça capturada por um caçador ilegal, apresentada como uma marionete tão óbvia quanto hilária, acaba nas mãos de um traficante de animais. E, claro, ela não é um exemplar comum da espécie.
Paralelamente, acompanhamos Emily (Lisa Ambalavanar) e sua amiga Madison (Olivia Rouyre) iniciando o último ano da faculdade. Emily, porém, está mais preocupada com sua popularidade online e com a aprovação das colegas da fraternidade do que com qualquer plano acadêmico. Isso a coloca em rota de colisão com Brianna (Sydney Craven), a típica líder mandona que controla um grupo de seguidoras fiéis.
Em meio a essa disputa, Emily decide “adotar” a preguiça — agora chamada Alfa — e transformá-la no mascote da fraternidade. A partir daí, tudo desanda. As garotas descobrem rapidamente que Alfa está longe de ser um animal inofensivo, e a situação se transforma em uma sequência de mortes tão absurdas quanto engraçadas. Nada faz muito sentido, os personagens tomam decisões questionáveis e o roteiro deixa várias lacunas. Mas tentar buscar lógica em um filme como esse é perder tempo — e, na verdade, parte da graça está justamente em rir dessas falhas.
Ainda assim, o filme tem limitações. Apesar de divertido, ele se estende mais do que deveria (93 minutos) e dedica tempo demais a conflitos entre as garotas da fraternidade, que não são tão interessantes. A classificação indicativa também limita bastante o potencial do humor gore, deixando muita coisa fora de cena (principalmente as mortes). É fácil imaginar o quão insano o filme poderia ter sido se tivesse liberdade para ir além.
Mesmo com esses problemas, é difícil não se divertir. Enquanto escrevemos, lembramos das cenas absurdas e rimos juntos. Goodhue e Fowler criam um caos proposital que combina gêneros e abraça o ridículo com entusiasmo — o tipo de filme perfeito para uma sessão noturna com uma plateia disposta a embarcar na brincadeira.















