Faz de Conta Que é Paris (por Peter P. Douglas)

Faz de Conta Que é Paris (Pare Parecchio Parigui, 2024), longa-metragem italiano de comédia dramática, distribuído pela Pandora Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 14 de agosto de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 87 minutos de duração.

Trata-se de uma comédia italiana dirigida por Leonardo Pieraccioni que parte de uma premissa simples, mas cheia de níveis emocionais. Três irmãos — interpretados por Pieraccioni, Chiara Francini e Giulia Bevilacqua — estão há cinco anos sem se falar. O que os reúne é o último desejo do pai, vivido por Nino Frassica: fazer uma viagem a Paris com os filhos. Só que o pai está gravemente doente e não pode sair da estrutura hospitalar. A solução? Simular a viagem.

Eles montam um cenário dentro de um haras, transformando um trailer estacionado em uma espécie de teatro ambulante. A viagem nunca acontece de verdade, mas o pai acredita que está cruzando a Europa rumo à cidade-luz. E é aí que o filme começa a brincar com a ideia de que o afeto pode ser mais poderoso que a realidade.

A farsa, que começa como um gesto de carinho, vira uma jornada de reconciliação entre os irmãos, que precisam lidar com mágoas antigas, ressentimentos mal resolvidos e a necessidade de se reconectarem antes que seja tarde.

O humor do filme é leve, com aquele tom nostálgico típico das comédias italianas que sabem rir da dor sem desrespeitá-la. Pieraccioni não busca grandes reviravoltas, mas constrói momentos sinceros, onde o riso e o choro se misturam. O roteiro é inspirado em uma história real dos irmãos Bugli, que em 1982 fizeram algo parecido com o pai doente — o que dá ao filme um toque ainda mais afetivo.

O que funciona muito bem é a forma como o filme transforma um espaço limitado — um haras, um trailer parado — em um universo cheio de possibilidades. A imaginação vira combustível, e a ideia de que “se não podemos ir a Paris, Paris pode vir até nós” se torna quase uma filosofia de vida. É sobre inventar beleza onde há limitação, sobre fazer do amor um motor para a fantasia.

Em resumo, “Faz de Conta Que é Paris” não é só uma comédia sobre uma viagem falsa. É um filme sobre o que é verdadeiro: os laços familiares, o desejo de reparar o que foi quebrado, e a capacidade de criar momentos inesquecíveis mesmo quando tudo parece perdido.

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