F1 – O Filme (por Peter P. Douglas)

F1: O Filme (F1: The Movie, 2025), longa-metragem estadunidense de esporte e drama, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de junho de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 156 minutos de duração.

O filme chega com a promessa de ser um grande espetáculo cinematográfico sobre o universo da Fórmula 1, mas o resultado é mais ambíguo. Joseph Kosinski, que já havia dirigido “Top Gun: Maverick”, aposta em uma produção grandiosa, com Brad Pitt no papel de Sonny Hayes, um veterano que retorna às pistas para salvar a fictícia equipe Apex GP.

A produção realmente impressiona nos aspectos técnicos: a fotografia das corridas, especialmente na abertura em Daytona, é lindissíma; a trilha sonora de Hans Zimmer dá emoção as sequencias; e as filmagens em circuitos reais como Silverstone, Las Vegas e Abu Dhabi dão credibilidade às cenas. Há também momentos curiosos para os fãs do esporte, como as participações de pilotos e chefes de equipe, além de referências históricas discretas.

Por outro lado, existem falhas que comprometem a experiência de quem conhece o esporte. O maior problema é um buraco de roteiro: Hayes só aparece no fim de semana da corrida em Abu Dhabi e substitui o reserva da equipe, algo que vai contra os regulamentos da FIA, tornando impossível sua vitória dentro da lógica esportiva. Além disso, a forma como circuitos diferentes foram usados como se fossem o mesmo, repete erros já vistos em “Rush – No Limite da Emoção”(2013).

O elenco funciona bem em termos de carisma: Brad Pitt dá peso ao protagonista, Damson Idris interpreta Joshua Pearce, o jovem piloto que rivaliza e depois aprende com Hayes, e Kerry Condon vive Kate McKenna, primeira diretora técnica mulher da F1, cuja trajetória acaba reduzida a um interesse romântico. Javier Bardem aparece como Ramon Cervantes, chefe da equipe fictícia e responsável por boa parte do drama inserido no roteiro.

Em resumo, “F1: O Filme”, além de divertido, é um verdadeiro espetáculo visual, contudo também é uma obra que falha em satisfazer os fãs mais atentos às regras e à realidade do esporte. Para o público geral, funciona como entretenimento de verão, com corridas filmadas em grande escala e uma trama acessível. Para quem acompanha Fórmula 1 de perto, as incoerências e escolhas narrativas podem soar frustrantes.

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