Esposa de Mentirinha (por Casal Doug Kelly)

A enésima comédia de Adam Sandler dirigida por Dennis Dugan, “Esposa de Mentirinha” (Just Go With It, 2011) é uma espécie de remake do filme “Flor de Cacto” (Cactus Flower, 1969) – que tem no elenco Goldie Hawn, Walter Matthau e Ingrid Bergman – que por sua vez foi baseada em uma produção da Broadway de 1965, adaptada de uma peça francesa. Que coisa não?

Danny (Adam Sandler) é um cirurgião plástico de Beverly Hills que decidiu transformar a própria vida amorosa em um esporte radical: passar décadas seduzindo mulheres em bares, usando uma aliança falsa e, contando histórias tão tristes que fariam até novela mexicana pedir moderação. Para ele, está tudo ótimo — afinal, nada diz “estou emocionalmente disponível” como fingir ser um marido rejeitado. Já Katherine (Jennifer Aniston), sua funcionária e mãe solteira, observa tudo com aquela expressão clássica de quem está dois segundos de pedir demissão.

A situação muda quando Danny conhece Palmer (Brooklyn Decker), uma loira deslumbrante que, milagrosamente, se interessa por ele sem precisar ouvir nenhuma história trágica inventada. Danny, então, tem a ousadia de acreditar que esse relacionamento pode ser algo real… até Palmer encontrar a famosa aliança. A partir daí, ele entra no modo “criador de fanfic” e inventa um casamento inexistente, um divórcio imaginário e uma ex‑esposa que, claro, precisa ser interpretada por Katherine.

Para completar a situação, Danny recruta os filhos de Katherine e até seu primo Eddie (Nick Swardson), para ajudar. As mentiras vão crescendo, se multiplicando e se tornando tão complexas que, no fim, Danny só vê uma saída: subornar todo mundo com uma viagem ao Havaí. Porque, obviamente, quando sua vida está desmoronando, a solução é sempre uma praia paradisíaca.

O filme, diferente das comédias tradicionais, tem quase duas horas de duração. Nada contra ambição, mas comédias geralmente sabem a hora de ir embora; esta aqui resolveu ficar para o café da manhã. A história é simples, mas o roteiro aproveita cada minuto extra para deixar as mentiras crescerem como gremlins molhados. Começa tudo muito engraçado, depois vira aquele festival de desculpas improvisadas que dá até vontade de olhar para a tela e dizer “amigo, para de cavar”. E então, do nada, perto do final, o filme resolve ficar emocionante — algo que ninguém espera muito de um filme estrelado por Adam Sandler.

Grande parte dessa emoção vem de Jennifer Aniston, que carrega o filme com a naturalidade de quem já está acostumada a salvar produções inteiras só com carisma. Ela entrega uma mãe solteira divertida, humana e fácil de torcer. Mas quem realmente rouba a cena são os filhos dela: Bailee Madison, com seu sotaque britânico tão exagerado que deveria ter crédito próprio, e Griffin Gluck, que completa a dupla com uma química deliciosa. Juntos, eles garantem boa parte das risadas e dos momentos mais genuínos do filme. Adam Sandler, por sua vez, está no modo clássico: engraçado, confortável, fazendo exatamente o tipo de personagem que ele interpreta desde sempre — e que, de alguma forma, ainda funciona.

Importante mencionar dois personagens que, apesar de pouco tempo em cena, fazem participações hilárias. Nicole Kidman vive Devlin Adams (personificação de tudo que Katherine quer esquecer) casada com Ian (Dave Matthews) um endinheirado que possui tremendas habilidades (o coco que o diga).

Quanto à direção de Dennis Dugan, é difícil dizer muito. Ele não escreveu o roteiro, então não dá para atribuir a ele os méritos da história. Mas há cenas bem conduzidas, como a famosa sequência no parquinho em câmera lenta, que mostra que ele sabe brincar com o humor visual. Nada revolucionário, mas também nada que faça você querer desligar a TV.

No fim das contas, “Esposa de Mentirinha” entrega exatamente o que promete: uma comédia leve, divertida, perfeita para uma noite em que você só quer rir um pouco e não pensar demais. Não é o auge da carreira de Sandler, mas tem coração, tem boas piadas e tem Jennifer Aniston fazendo tudo ficar melhor. Se você gosta das comédias de Sandler, esta aqui vale a pipoca.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *