Eat The Night (por Peter P. Douglas)

Eat The Night (Devorar a Noite, 2024), longa-metragem francês dramático, com classificação indicativa 16 anos e 102 minutos de duração, dirigido por Caroline Poggi e Jonathan Vinel, mistura o fim de um jogo online com a rotina de dois irmãos em uma cidade portuária francesa, criando uma história que alterna entre o universo digital e os conflitos reais, sem tentar separar os dois.

Apolline (Lila Gueneau) e Pablo (Théo Cholbi) vivem conectados ao Darknoon, um jogo fictício que está prestes a ser encerrado. Enquanto ela se apega ao mundo virtual, ele se envolve, em um romance gay, com Night (Erwan Kepoa Falé), um rapaz que conhece durante uma entrega de drogas. A relação entre os dois cresce, e Pablo se afasta da irmã, o que acaba gerando consequências ligadas a gangues e ameaças. O jogo, que parecia ser apenas uma distração, vira uma espécie de refúgio para quem não encontra espaço fora dele.

O filme mostra os personagens em movimento, entre festas, encontros, fugas e momentos de espera. Há cenas que lembram jogos de computador, com efeitos criados por Lucien Krampf e Saradibiza para simular o universo de Darknoon e que são parte importante da experiência. A montagem não avisa quando muda de ambiente, o que exige atenção e cria uma sensação de fluxo contínuo.

A relação entre Pablo e Night é mostrada com naturalidade. Eles se encontram, passam tempo juntos, se afastam do mundo. Enquanto isso, Apolline tenta lidar com a ausência do irmão e com o fim do jogo. Há uma sensação de que tudo está prestes a acabar, mas ninguém sabe exatamente o que fazer com isso. A obra não tenta organizar os acontecimentos em uma linha clara, e isso pode deixar algumas partes mais soltas.

O longa poderia explorar mais o universo do jogo, que acabou sendo usado de forma repetitiva. Já a trama ligada ao tráfico de drogas pode, para alguns, parecer exagerada ou difícil de aceitar, mas enxergo nisso uma escolha consciente dos diretores, tratando tudo como se fosse parte de um grande jogo, inclusive a vida real.

“Eat The Night” se aproxima de seus personagens e mostra como eles vivem, jogam, amam e erram. É um filme que mistura linguagens e mundos, sem se preocupar em separar o que é real do que é inventado.

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