Ditto: Conexões do Amor (por Peter P. Douglas)

Ditto – Conexões do Amor (Ditto, 2022), longa-metragem sul-coreano de drama e romance, distribuído pela Sato Company, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de março de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 114 minutos de duração.

Antes da Coreia do Sul virar essa máquina de hits globais que hoje domina streaming, Oscar, TikTok e o imaginário coletivo, o país já vinha mostrando que sabia fazer de tudo — inclusive melodrama romântico capaz de derreter até o coração mais azedo. Em 2000, surge “Ditto”, um romance sci-fi tão inesperado que parecia ter caído de um buraco de minhoca diretamente no cinema coreano. Um rádio amador conectando duas pessoas em épocas diferentes? Claro, por que não. O público amou. Os roteiristas amaram. E 22 anos depois, alguém disse: “vamos refazer isso, mas com mais filtros, mais fofura e mais gente bonita”. E assim nasceu a versão do diretor Seo Eun-young.

Agora começamos em 1999 — aquele ano mágico em que o mundo achava que o bug do milênio ia destruir tudo, mas o máximo que destruiu foi a paciência de quem tinha que reiniciar computador. Kim Yong (Yeo Jin-goo) é o estudante popular que se apaixona pela nova aluna, Han-sol (Kim Hye-yoon). Para impressioná-la, ele pega emprestado o rádio amador do amigo, porque nada diz “sou interessante” como um aparelho que parece ter saído de um museu. Mas Han-sol gosta, então tudo bem.

Durante um eclipse lunar total — porque romance coreano não funciona sem fenômeno astronômico — o rádio liga sozinho e surge a voz de Mu-nee (Cho Yi-hyun), que estuda na mesma escola… só que no futuro. Os dois viram melhores amigos via rádio, trocam conselhos amorosos e tentam se encontrar, até perceberem que estão separados por décadas. É tipo “A Casa do Lago” (2006), só que com menos Keanu Reeves e mais acne adolescente.

Antes de falar da nova versão, vale lembrar que o “Ditto” original era doce, melancólico e eficiente. Seo Eun-young tenta manter essa vibe, e até consegue — em partes. Ela muda algumas coisinhas, como inverter quem está no passado e quem está no presente, mas nada que faça o universo colapsar. Trazer a história para 1999 funciona bem, porque dá aquele gostinho nostálgico de pager, walkman e moda duvidosa.

O público-alvo? Jovens. Claramente. O elenco é composto por rostos angelicais que parecem ter sido selecionados por algoritmo de K-drama. Yeo Jin-goo faz um bom trabalho, mesmo que não tenha tanto carisma. Cho Yi-hyun, vinda diretamente do apocalipse zumbi da série “All of Us Are Dead”, interpreta Mu-nee com charme e ingenuidade suficientes para adoçar até café sem açúcar. E Kim Hye-yoon, sempre maravilhosa, é o tipo de personagem que faz o público suspirar e dizer “ai, que fofa”.

Agora… a duração. Ah, a duração. O filme poderia ser menor e mais ágil, porém decide se estender com subtramas que não servem para nada além de testar a paciência do espectador. A história da tartaruga? Interessante no começo, completamente absurda no final. Se o editor tivesse sido mais rigoroso, o filme teria fluído como um romance sci-fi deve fluir — rápido, doce e sem enrolação.

A cinematografia é linda, separando passado e presente com estilos visuais distintos. Mas o roteiro… bom, o roteiro é simples. Muito simples. Cheio de clichês que qualquer fã de K-drama já viu 47 vezes. Não é um filme para quem busca originalidade — é para quem quer conforto emocional embalado em nostalgia.

Eu gostei de assistir. Mas não sei se assistiria de novo. Talvez num domingo à noite, com preguiça e vontade de ver algo leve, fofinho e que não exija mais do que três neurônios funcionando. Se puder, assista! Pode valer a pena. E, se não valer, pelo menos você pode culpar o eclipse lunar.

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